Feminicidio: População quer “mão dura” no caso do assassinato da mulher morta pelo agente da PN na ilha do Fogo

12/12/2021 22:54 - Modificado em 12/12/2021 22:54
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Nas redes sociais várias pessoas protestam e manifestam-se contra a morte de mais uma mulher no país, vítima de feminicídio. E somando a gravidade do caso, que por si só já levanta indignações e sentimentos de repúdio, a mulher foi assassinada pelo marido, que é também agente da Polícia Nacional, na ilha do Fogo.

A vítima  identificada como sendo Benvinda Santos, foi alvejada pelo suposto agressor, o agente da Polícia Nacional, Hileno Santos de 29 anos com quem era casada há cerca de um ano.

Amigos, familiares, conhecidos entres outros  pedem justiça. “Queremos justiça. Era uma pessoa maravilhosa, nunca fez mal a ninguém para morrer assim, de graça”, aponta um cidadão que diz conhecer a vitima de perto e que deixou quatro filhos.

“infelizmente isto dá para ver que  tem certos policiais que não estão nada preparados psicologicamente para estarem no terreno”, refere um internauta que questiona o facto de ter tido esta atitude com a própria mulher, “imagina o que ele não terá sido capaz de fazer com outros que ele encontra no seu dia a dia de trabalho”.

Muitas pessoas fracas psicologicamente envergando fardas e armas. O que deveria ser uma defesa para a sociedade, está sendo um perigo para todos”, aponta outro internauta que diz que mudanças “precisam urgentemente”.

Contudo, apesar de ter sido, este crime, cometido por um agente  de segunda classe, recém-formado e com quatro a cinco anos de serviço, é preciso “separar as águas”, ou seja, não se pode meter toda as corporação da PN neste caso, quando apenas um indivíduo está envolvido.

“Infelizmente mais uma para a lista que está cada vez mais longa”, aponta outra internauta, realçando que não é preciso matar. 

“Era só separar se a relação não estava boa”, afirma esta jovem que lembra ainda o caso do Guineense morto pela companheira no Sal, no sábado, em que a vítima foi esfaqueada pela própria companheira com quem vivia em união de facto.

Sobre o crime que deixou de luto o município dos Mosteiros. “Um acto condenável, triste e de profunda vergonha”, desabafa outro internauta.

“Não sei qual é a desses homens, que matam as suas companheiras ou ex, quando a relação não está bem. Aceitem a separação e cada um vai para o seu lado, e de preferência com vida. Nenhuma mulher está disposta a aceitar as barbaridades cometidas pelos companheiros, ou ex-namoradas, mulheres”.

De acordo com uma amiga da vítima, “as mulheres, e toda a população de Cabo Verde, querem que seja dado um basta ao feminicídio. Estamos perdendo nossas mulheres. Estamos indignados com toda essa situação. Minha amiga foi morta por alguém que ela amava”, disse.

“A morte de uma mulher por um agente da polícia mostra o retrato brutal da violência contra a mulher”, sublinhou a mesma fonte que pede que este caso, não seja registado apenas como mais um e que por ser um agente, a impunidade não pode prevalecer, a punição tem que ser efetiva.

“Várias mulheres são mortas por homens covardes e pouco se faz. Espero que agora, com a morte desta mulher por um policia, providências sejam tomadas”, publicou outra internauta.

Já o agente da segunda classe da PN, envolvido no caso que resultou na morte da esposa do mesmo, foi transferido para a esquadra de São Filipe.

O comandante regional da Polícia Nacional (PN), o comissário Herminio da Veiga, disse à Inforpress que o Comando tomou esta decisão por uma questão de prevenção, salientando que durante o período que esteve no terreno não sentiu que algo poderia acontecer, mas que por mera prevenção, e, por se tratar de um meio pequeno, o agente foi colocado numa outra unidade, neste caso, a esquadra de São Filipe.

EC

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