S. Vicente: Antiga piscina da Matiota “Pedra Doca” alvo de remodelação por populares

8/12/2021 23:06 - Modificado em 9/12/2021 11:33
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A campanha foi lançada por António Silva, ex-presidente da Associação para a Defesa do Consumidor, que atualmente tem desempenhado um papel de activista social, nas redes sociais denunciando situações que não abonam o bem-estar da ilha.

O recente projecto de António Silva, neste momento, é a recuperação da piscina que antes existia no Matiota, vulgo “Pedra de Doca”, situado na zona de Chã de Alecrim, um local bastante apreciado e frequentado por vários banhistas em São Vicente, que preferem o local à praia da Lajinha, para a prática de natação, lazer e outras actividades de convívio, e restaurar o potencial que não foi suficientemente aproveitado e a ameaça que continua a pairar sob o local.

Depois de ter realizado no último fim-de-semana, uma campanha de limpeza e retirada da área do local, está agendada para o próximo domingo, a “próxima jornada” da empreitada, que quer devolver o “Tanquim” ao local.

No local, já foi feita a retirada de lixo, areia, e foi “construído” um acesso mais fácil, mas ainda falta muito a fazer. “E este muito poderá ser feito em pouco tempo, mas precisamos do apoio de uma máquina, algumas horas serão suficientes para grandes melhorias”.

Atualmente, o local continua a ser frequentado por crianças, jovens adultos e idosos, que estão a trabalhar, isso depois de reclamar, reivindicar, optaram por deitar mãos à obra, até que chegue a prometida intervenção do antigo Ministro do Mar, Paulo Veiga, que numa entrevista ao Mindelinsite, prometeu a recuperação e valorização da Matiota.

 “Estamos a falar de um sítio com um legado histórico, pois a Matiota deixou uma memória em S. Vicente e merece ser acarinhada. Podemos fazer isso promovendo a recuperação do trampolim e da piscina e acrescentar outras valências, como a construção de um clube náutico, que será uma academia para a promoção de desportos náuticos não-motorizados. Estamos a falar da prática do caiaque, padle, natação, etc.”, apontou em maio de 2021.

No entanto, até que isso não saia do papel, populares já iniciaram a remodelação do local, que acreditam pode acelerar o processo de devolver ao local a sua beleza e maior importância que tinha no passado.

António Silva salienta ainda que o espaço à volta, a quadra desportiva ao lado é possível, com ação, mostrar que esse “espaço está vocacionado para a prática desportiva e não para residenciais e negócios imobiliários da elite”.

Em conversa com alguns frequentadores da praia, como é o caso de Joaquim Pires, frequentador do local há já vários anos, este lamenta o potencial desta área que foi desperdiçado. “Com a sua valorização, uma urbanização cuidada deste espaço poderia transformar-se numa área de lazer, cultura, convívio para além do turismo, fonte de receitas para a cidade”, mas que segundo o nosso entrevistado foi deixado ao Deus “dará”.

“Este local é maravilhoso. Aos fins-de-semana, nem todos, reunimos aqui, entre amigos e familiares, num convívio que dura quase uma tarde inteira”, conta Paulo que ilustra ainda sobre os jovens, que de panela, água, ingredientes na mão costumam realizar passeios no local. 

“Dizer que Pedra de Doca é facilidade de diversão, é dizer boa e saudável vida”, corrobora Steven Delgado que, reconhece no entanto que o estado de abandono, trouxe alguma degradação ao local, mas que prefere estar aqui, que na Lajinha.

Esta praia, de acordo com o blog “MindeloSempre”, os ingleses chamavam de “Step”, era o melhor local de banhos de mar de Mindelo. “Começou por ser frequentada pelos Ingleses que construíram a estrutura de saltos que se vê na imagem, tendo sido adoptada pelos Falcões que acabaram por lhe dar o nome de Praia dos Falcões”.

Foram eles que, por quotização e trabalho próprio, construíram os primeiros vestiários para que os frequentadores da praia pudessem trocar de roupa. No local, faziam aulas de natação.

Mais tarde, quando se deu o acidente com um tubarão, que atacou e devorou um italiano da Italcable, o único acidente do género de que há registo em Cabo Verde, nesse local, também, foram eles que com ajuda da Western Telegraph (que forneceu os arames de aço) construíram a vedação para defender os banhistas de possíveis novos ataques.

António Silva considera que a primeira jornada, no domingo passado, 05 dezembro, foi um grande sucesso, que contou com o envolvimento de crianças, de adolescentes, de jovens e de adultos. E acredita que no próximo domingo, decerto, muito mais cidadãos irão colaborar, no país e na diáspora, cada um à sua maneira.

EC

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