Crise no IMAR: Trabalhadores acusam o instituto de “brincar” com os seus direitos – Conselho Diretivo aponta motivos políticos e desestabilizadores

18/11/2021 22:47 - Modificado em 18/11/2021 23:22
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Os trabalhadores do Instituto do Mar, ex-Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas, agastados com a situação laboral denunciam uma situação de “revolta, desânimo e desmotivação” na empresa, conforme denúncia. Por seu lado, a direção acusa uma maioria dos colaboradores, no intuito de denegrir a imagem do Conselho Diretivo, com motivos “escrupulosamente políticos e desestabilizadores”.

De acordo com estes colaboradores, o Conselho Directivo do IMAR continua “brincando” com os direitos adquiridos dos trabalhadores desrespeitando a sentença do Supremo Tribunal de Justiça que decidiu favoravelmente ao processo interposto relativo ao pagamento das diuturnidades.

Igualmente, revelam que o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) continua em “banho-maria” visto que em Agosto passado, garantiram aos trabalhadores que no passado mês de setembro iriam divulgar a Lista de transição, mas até agora nada. “Somente agora, a 10 de Novembro, iniciaram as entrevistas com os trabalhadores com o intuito de lhes informar a categoria que lhes cabe no IMAR”, aponta os colaboradores com medo de dar a cara para evitar represálias.

Neste sentido afirmam que praticamente todos os trabalhadores estão revoltados e já escreveram cartas de reclamação ao Conselho Directivo do IMAR devido ao enquadramento feito que não leva em conta o tempo de serviço prestado.

Entre as situações apontam o caso de um condutor com 25 anos de trabalho e que foi enquadrado na mesma categoria iniciante. “O mesmo sucedendo com outras categorias, ou seja segundo os colegas trabalhadores” denunciam alegando que o tempo de serviço prestado, não tem qualquer valor para a direcção do IMAR.

“A revolta está instalada/inflamada no seio dos trabalhadores que estão decididos a lutar por outros meios até conseguirem resolver as pendências (PCCS, Lista correcta de transição para o IMAR tendo em conta o tempo de serviço de cada trabalhador e pagamento das Diuturnidades conforme sentença do Supremo Tribunal de Justiça) ” e para isso, dizem que vem contando com o apoio do Sindicato SINTAP.

Asseguram que, caso não haja diálogo entre as partes, e se o silêncio se mantiver, será considerado um desrespeito e um “abuso das grandes”. E que a partir ali, serão encetadas outras formas de luta, entre as quais, encontro com o Ministro do Mar, greve, manifestação e se nenhum desses der certo, invasão ao gabinete do Presidente do IMAR. “Para que ele entenda de uma vez por todas que os trabalhadores não são bonecos e que deve respeitar a Sentença do Supremo Tribunal da Justiça”

Dizem ainda que após um ano e dois meses de serviço, os “Chefes do IMAR ainda nada fizeram de novo e nem se preocupem em resolver as pendências dos trabalhadores porque mensalmente tem garantido para eles os respetivos salários e ainda subsídios de 20 contos para cada um, enquanto os trabalhadores sufocados com o custo de vida”.

Em nota o Conselho Diretivo do IMAR, assinado pelo presidente Malik Duarte Lopes, informa que tem sido várias as tentativas feitas por um grupo exíguo de colaboradores do instituto, “completamente à margem da grande maioria dos colaboradores, no intuito de denegrir a imagem do Conselho Diretivo, através de reclamações anônimas via Comunicação Social, cujos verdadeiros motivos subjacentes são inescrupulosamente políticos e desestabilizadores”.

Sobre o Regulamento Orgânico e PCCS, Malik Duarte Lopes, assegura no comunicado que a comunicação tem sido fluente, através da emissão de circulares informativas e reuniões de apresentação, mantendo- se sempre uma postura de auscultação e prestação de esclarecimentos, sempre com uma postura saudável.

“Não se descarta a existência de alguma ansiedade comedida por parte da maioria dos colaboradores, por se tratar de um processo delicado, e há muito tempo aguardado pelos colaboradores. As últimas evoluções nas carreiras ocorreram há mais de uma década, e com a criação do IMar as expectativas são maiores. Por esta razão, com a tomada de posse do presente Conselho Diretivo, sinalizou-se, de imediato, como prioridade, a resolução desta pendência, com um forte sentido de compromisso. Após, aproximadamente, um ano de dedicação e trabalho árduo e sério, o PCCS encontra-se ultimado e já socializado com os c e os sindicatos, tendo ganho melhorias significativas.

Por conseguinte, afirma que a lista de transição para o enquadramento dos colaboradores no novo PCCS já foi elaborada, encontrando-se na fase da sua primeira socialização, onde foram solicitados inputs/reclamações diretas dos colaboradores, com o objetivo de tornar o processo o mais transparente, participativo e justo possível. Todas as reclamações já foram recebidas e compiladas para a devida análise e respectivo tratamento.

No que concerne às diuturnidades, as démarches têm sido feitas, Malik Duarte Lopes, garante que todos os passos deste processo têm sido informados aos trabalhadores abrangidos por esse direito, através do seu mandatário, a via determinada por eles para quaisquer informações relacionadas com o processo.

“Evidentemente, os processos de criação de Instrumentos de Recursos Humanos são de grande complexidade, com repercussões a nível da vida profissional e pessoal dos colaboradores a curto, médio e longo prazo, pelo que se exige empenho e tranquilidade na sua concepção. Um processo participativo e dinâmico, envolvendo a contribuição de todos os intervenientes para uma resolução final inclusiva e justa”.

“O Conselho Diretivo do IMar não será vítima de distração provocada pelo sensacionalismo e má-fé dos prevaricadores do trabalho sério e digno que está a ser levado avante. Continuarei a trabalhar com foco e perseverança para ver a situação laboral dos colaboradores do Instituto resolvida o quanto antes possível, por uma questão de compromisso, seriedade, responsabilidade, boa vontade e profissionalismo”, concluiu.

EC

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