Novo Presidente da República de Cabo Verde garantiu que exercerá uma magistratura com base no diálogo

9/11/2021 17:36 - Modificado em 9/11/2021 17:36
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José Maria Neves tomou hoje posse como Presidente da República, perante a Assembleia Nacional, tendo-se apresentado “imbuído” de “profunda humildade” e “inabalável sentido de compromisso”.

Num discurso de 51 minutos, em que alternou o crioulo e o português para se dirigir à Nação, o Presidente da República agradeceu o povo de Cabo Verde pela confiança depositada na sua pessoa e prometeu assumir o cargo com “profunda humildade” e “grande sentido” de compromisso.

“Quero apresentar ao povo de Cabo Verde o meu grande reconhecimento tanto no País como na diáspora pela extraordinária jornada democrática que junto fizemos durante os dias de intenso campanha eleitoral”, disse, ao iniciar, em crioulo, o seu discurso como quinto presidente da República de Cabo Verde, empossado hoje em sessão especial da Assembleia Nacional.

José Maria Neves disse que os cabo-verdiano deram prova de “uma grande maturidade” e uma “forte assunção” da democracia “nos valores, nas regras e nas práticas” que a caracterizam.

O chefe de Estado destacou, na ocasião, a reconstrução do País no “ciclo doloroso” do pós-pandemia como a “grande prioridade nacional”.

“Trata-se de uma tarefa ingente e que exige a convocação de toda a nação global cabo-verdiana. Este é o tempo de cerrar fileiras e todos, juntos, dar o melhor de nós para o progresso da nossa terra e o bem-estar de todos, a começar pelos que têm sido directa e desproporcionalmente mais atingidos em virtude do círculo de fragilidade”, disse.

O Presidente da República não se esqueceu da comunidade emigrada, e aqui considerou que Cabo Verde tem de construir uma relação “mais eficaz e enriquecedora” com a sua diáspora, no sentido de aproveitar os talentos ali existentes.

“Temos de fechar o ciclo das remessas financeiras e investimentos circunscritos que, mais do que isso, aposte em capitais e activos valiosos nos nossos dias. Falo de remessas de ideias, remessas espirituais, remessas de competências e capacidades de entre as muitas e altamente qualificadas que existem nas nossas comunidades emigradas”, afirmou.

Para José Maria Neves, trata-se de um “contributo auspicioso” para, por exemplo, acelerar passos em domínios que garantam o futuro da Nação e melhorar a capacidade de resposta da Administração Pública, sobretudo em valências carentes de um verdadeiro choque tecnológico e de parâmetros elevados de qualidade. 

“Tal o caso da saúde ou os casos da educação, ciência ou inovação digital (…)”, disse.

O novo Presidente da República reiterou que vai ser um presidente “sempre preocupado com as pessoas” e que promove e defende as liberdades fundamentais de todos.

“Sou um presidente que une, que cuida e protege, um presidente positivo e empenhado em levantar a alma e o espírito da nação. Estarei atento às reivindicações e aspirações dos cabo-verdianos”, declarou José Maria Neves.

Garantiu que exercerá uma magistratura com base no diálogo, através de consulta aos órgãos de soberania, às autoridades centrais e locais, partidos políticos, os patrões, sindicatos, igrejas e toda a sociedade civil.

“Ouvirei atentamente e actuarei de acordo com os instrumentos e mecanismos que estarão ao meu alcance, designadamente através da promoção de acções como ‘Presidente Ilha’ e ‘Presidente Diáspora’, como espaço de diálogo e de busca de soluções para os problemas prementes do País em cada momento”, disse, garantindo que será “o ouvidor-geral da República”.

Num discurso em que mesclou o crioulo e o português, José Maria Neves prometeu estar na linha da frente do combate para a oficialização do crioulo.

Afirmou que a língua materna é a competente da cultura cabo-verdiana que mais e melhor sintetiza e traduz a gesta heroica identidade cultural cabo-verdiana.

“Enquanto Presidente da República vou estar na primeira linha do combate pela oficialização do nosso crioulo, com base em todas as variantes, pois que são as marcas da sua riqueza e força como língua deste povo disperso por várias ilhas”, sustentou.

“Farei sempre o meu melhor com todas as minhas capacidade e energias”, sintetizou, no final do seu discurso.

José Maria Neves, 61 anos, foi eleito Presidente da República na primeira volta das eleições presidenciais, realizadas no dia 17 de Outubro, com 95.974 votos, o equivalente a 51,75% do total dos votos. 

O ex-primeiro-ministro (2001 -2016) torna-se, assim, no quinto Presidente da República de Cabo Verde depois de Aristides Pereira (1975 a 1991), António Monteiro (1991 a 2001), Pedro Pires (2001 a 2011) e Jorge Carlos Fonseca (2011-2021). 

Inforpress

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