São Vicente: Espetáculo Aurora Negra abre a 27ª edição do Mindelact

4/11/2021 13:03 - Modificado em 4/11/2021 13:03
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Aurora Negra é o espetáculo que abre as cortinas, amanhã, da 27ª edição do Festival Internacional de Teatro do Mindelo Mindelact 2021. Uma história que se estreia em Cabo Verde no Centro Cultural do Mindelo, com três mulheres, Cleo Diára, Isabel Zuaa e Nádia Yracema, que apresentam história que vem das suas urgências, das vontades, celebrações, esperança, resistência, ou seja, são as anfitriãs e as protagonistas desta narrativa,

O Mindelact 2021 decorrerá de 05 e 13 de novembro, na cidade do Mindelo. O certame cultural já tem toda a sua programação adaptada a esta nova realidade que é a pandemia da covid-19. 

A vinda deste espetáculo, conforme o presidente da Associação Mindelact, que estava prevista para 2020, aconteceu na sequência da conquista da segunda edição da Bolsa Amélia Rey Colaço, uma iniciativa promovida pelo Teatro Nacional D. Maria II, o Centro Cultural Vila Flor, O Espaço do Tempo e o Teatro Viriato em Portugal.

Conforme sinopse, este é um espetáculo vencedor que nasce da constatação da invisibilidade a que os corpos negros estão sujeitos nas artes performativas. A estes corpos é negado constantemente o acesso à construção das suas narrativas, quer seja pela sua ausência nas criações da maioria vigente, ou pela sua presença que quando existente é muitas vezes justificada e remetida a estereótipos e preconceitos.

As atrizes que dão corpo a este espetáculo garantiram, hoje de manhã, em conferência de imprensa em São Vicente, que a peça é baseada nas suas histórias e vivências. “É tudo aquilo que nós enquanto atrizes e que queríamos ver em palco, de fazer e de falar”. A história, conforme Cléo Diára é o fruto da mistura de culturas, que celebra as mulheres negras, um conjunto de vontades. Ou seja, uma dramaturgia pensada por elas e que engloba uma vasta equipa, onde cada um na sua arte, traz este novo amanhecer. É isso que trazemos aqui”, explicou a atriz cabo-verdiana, que regressa ao país de origem mais de 20 anos depois.

Isabel Zuaa, nascida em Portugal afirma que esta troca cultural através da arte é gratificante, referiu ainda a atriz que se mostra satisfeita por fazer parte desta “atmosfera artística do Mindelact”, que é no seu entender um lugar de referência e que portanto faz muito sentido apresentar esta “filha” (Aurora Negra), em Cabo Verde.

Trazem a sua perspetiva relativamente às suas histórias. Na Aurora Negra, dizem que são as protagonistas e anfitriãs. “Uma mulher negra feliz é um caso revolucionário. E no mundo inteiro, dentro da cadeia social, no mundo artístico como sempre colocadas e quando nos colocamos onde queremos, isso cria um certo incómodo. Somos na Aurora Negra, anfitriãs sem constrangimentos de ser e de estar “, remata Isabel Zuaa.

Já Nádia Yracema que subscreve todo este sentimento destaca o trabalho feito pelo Mindelact, pelo que faz, não só com teatro e arte, mas de trazer companhias de várias partes do mundo para o país. “E é um privilégio para nós sermos uma das companhias deste festival de renome”, sustentou.

Em Aurora Negra, o canto começa na voz de uma mulher que fala. Fala crioulo. Fala tchokwe. Fala português. Em cena três corpos, três mulheres na condição de estrangeiras onde são faladas essas três línguas. Em cada mulher uma essência, personalidade e trajetória que se cruzam com a certeza de que nada voltará a ser igual. Nesta Aurora Negra, buscam as raízes mais profundas e originais dessas culturas celebrando o seu legado e projetando um caminho onde se afirmam como protagonistas das suas histórias.

Elvis Carvalho

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