Navio Dona Tututa ainda sem previsão de início de operações

3/11/2021 23:10 - Modificado em 3/11/2021 23:11
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O novo navio da CV Interilhas (CVI), concessionária dos transportes marítimos em Cabo Verde desde Agosto de 2019,  está ainda sem previsão de início de operações, por estar em fase final de preparação para entrar ao serviço das ligações interilhas, após o processo de certificação.

O presidente do conselho de Administração da CVI, Jorge Maurício, assegurou esta quarta-feira, em entrevista à Lusa que “o processo em si é complexo e as pessoas às vezes possuem alguma ansiedade, e percebemos naturalmente, porque querem ver as coisas a acontecer. Um navio, assim como um avião, os seus processos e procedimentos de certificação não são de um dia para o outro, porque são complexos, devem ser muito bem escrutinados porque todos os intervenientes têm responsabilidade, principalmente na parte da segurança dos passageiros, de que não abdicamos”.

O mesmo vincou, em entrevista a mesma fonte que o navio está em perfeitas condições para começar a navegar – antes de adquirido pela CVI navegava entre as diversas ilhas das Bahamas e a Florida (Estados Unidos) e chegou a Cabo Verde depois da conclusão do processo de remodelação no estaleiro português Navaltagus (grupo ETE) -, está classificado internacionalmente pela sociedade Norte-Americana ABS (American Bureau of Shipping) e já está registado em Cabo Verde.

Entretanto, já foi feita a última inspecção estatutária para que tenha licença para operar de acordo com as normas marítimas nacionais.

“Nos próximos dias esperamos a inspecção final para constatarem que as pequenas recomendações já foram resolvidas e eram detalhes que não colocavam em causa a sua navegabilidade. Posso até enumerar as recomendações que têm a ver com uma peça de um radar, com um ar condicionado das instalações do comando do navio que avariou neste percurso, as pinturas da baleeira do navio que ainda tinha o nome do armador anterior, algumas pinturas de sinalização de segurança”, apontou Jorge Maurício.

O administrador garante que a estrutura e o desenho do navio, bem como os sistemas de alarme e o seu motor, estão em perfeitas condições.

Admite, ainda assim, que com mais flexibilidade das autoridades marítimas locais o navio já poderia ter a emissão do certificado e da licença de operação, e em alguns dias seriam regularizadas as recomendações.

“De qualquer forma a autoridade marítima faz o seu trabalho de forma isenta, independente, com muito profissionalismo, é preciso que se diga, porque às vezes confundimos o rigor e o profissionalismo com o bloqueio, mas nem sempre é isto. Temos que nos pôr do lado da autoridade marítima, são processos complexos, a responsabilidade é enorme quando se trata de segurança de passageiros e por isso respeitamos na íntegra e o relacionamento é construído numa base de confiança”, realçou Jorge Maurício.

Recorda que há navios que já demoraram mais do que os três meses de espera do “Dona Tututa” para conseguir o certificado de navegabilidade em Cabo Verde, apesar de desejar que fosse um processo mais célere.

“Porque o navio está parado, está a ter custos, não está a ter rendimento e é a própria empresa que assume os custos. Está a ser penoso e neste caso são os accionistas da empresa que assumem esta factura”, sublinhou.

A CVI é liderada (51%) pela Transinsular (grupo português ETE) e participada nos restantes 49% por 11 armadores cabo-verdianos, tendo assumido em Agosto de 2019 um contrato de concessão do transporte público marítimo de passageiros e cargas interilhas, num contrato válido por 20 anos após concurso público internacional.

Quanto ao navio “Dona Tututa” chegou ao país em Julho e deveria começar a operar em Setembro, segundo previsão anterior da empresa, o que não aconteceu, continuando no cais do porto do Mindelo, em São Vicente.

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