Jorge Carlos Fonseca revela que recebeu chamadas de congéneres africanos a favor de Alex Saab

30/10/2021 18:11 - Modificado em 30/10/2021 18:11
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O Presidente da República cessante, Jorge Carlos Fonseca, admitiu esta sexta-feira, 29, que o processo envolvendo a extradição de Alex Saab originou telefonemas de vários chefes de Estado africanos, apelando-lhe a favor do alegado testa-de-ferro do Presidente da Venezuelano.

Jorge Carlos Fonseca, que falava à imprensa na cidade da Praia sobre o balanço dos dez anos como Presidente da República, vincou que muitos chefes de estado africanos, entraram em contacto com o PR, para ver o que conseguiria fazer em relação ao caso da detenção de Alex Saab no Sal, em Junho de 2020, a pedido dos Estados Unidos, até à sua extradição, em 16 de Outubro passado.“Presidente Jorge Carlos Fonseca, veja lá o que pode fazer”, descreveu, sobre os telefonemas recebidos de outros chefes de Estado, “sobretudo” africanos.“Posso fazer como? Posso fazer nada, o que eu posso fazer é zero”, explicou, sobre a resposta que deu.

E descreveu a posição desses chefes de Estado, mas sempre sem concretizar nomes: “Com posições mais ou menos favorável, à partida, para a libertação de Alex Saab, uns até me invocavam que tinham sido contactados pelo Presidente venezuelano”.

Alex Saab, 49 anos, foi detido pela Interpol e pelas autoridades cabo-verdianas em 12 de Junho de 2020, durante uma escala técnica no Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, ilha do Sal, com base num mandado de captura internacional emitido pelos Estados Unidos da América – que o consideram testa-de-ferro do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro – numa viagem para o Irão em representação da Venezuela, com passaporte diplomático, enquanto ‘enviado especial’ do Governo venezuelano.

A detenção do empresário, de nacionalidade colombiana, colocou Cabo Verde no centro de uma disputa entre o regime de Maduro, que alega as suas funções diplomáticas aquando da detenção, e a Presidência norte-americana, bem como irregularidades no mandado de captura internacional e no processo de detenção.

Jorge Carlos Fonseca explicou a ausência de intervenção por ser um dossiê que “entrou numa área de avaliação que é uma área judiciária e judicial”, que neste caso passou pelas várias instâncias judiciais, até à recusa do último recurso da defesa de Alex Saab pelo Tribunal Constitucional de Cabo Verde.

“Num estado de direito democrático como é o nosso, um Presidente da República, mas também um primeiro-ministro ou um ministro da Justiça, não pode ter nenhum tipo de influência sobre o destino desse dossiê. Isso eu disse a homólogos meus”, afirmou o chefe de Estado, em funções até à posse em 09 de Novembro do novo Presidente da República, José Maria Neves, eleito em 17 de Outubro.

Questionado sobre eventuais impactos negativos do processo na imagem de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, recusou essa ideia: “Eu tenho dúvidas em relação a isso”.

No entanto, admitiu que nos últimos meses foram muitas as declarações e petições internacionais criticando as autoridades cabo-verdianas pela detenção de Alex Saab, para efeitos de extradição, mas também “no sentido contrário”.

Garantiu que o caso foi abordado em “praticamente todas as reuniões semanais” com o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, embora sem qualquer poder de intervenção.

“Independentemente da minha posição pessoal em relação à gestão do processo, global, a partir do momento em que o dossiê entra nas instâncias judiciárias, o Presidente da República absolutamente nada podia fazer”, concluiu Jorge Carlos Fonseca.

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