“Quem agride uma vez se for perdoado vai voltar a agredir” – Comandante Regional da PN em S. Vicente

24/10/2021 23:20 - Modificado em 24/10/2021 23:24
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“Quem agride uma vez, se for perdoado, vai voltar a agredir”, refeiriu o Comandante Regional da Polícia Nacional em São Vicente, que sustentou ainda que não há casos de agressão, que não tenha repetição, isso referindo aos casos de Violência Baseada no Género (VBG).

Para o Comandante Regional da PN em S. Vicente, o intendente João Santos, aquele que agride a companheira, parceira ou namorada, se lhe for perdoado e não houver nenhuma medida por parte da vítima, vai ter uma segunda, terceira e quarta vez. “Ele fará sempre, e os casos vão continuar se repetindo e continuar ali”, portanto considera que, de facto, é preciso que as próprias vítimas e a sociedade civil colaborem mais e sejam mais cidadãos ativos, e na defesa dos seus direitos salvaguardando a sua integridade física.

Os casos de VBG, conforme este responsável, são difíceis de controlar devido a falta de colaboração que se esperaria da sociedade civil e muitas vezes das pessoas envolvidas e também das próprias vítimas. “Muitas vezes as próprias vítimas, passado o calor da agressão física ou psicológica, tendem a relaxar até certo ponto e quando isso acontece, acaba por dificultar e contraria aquilo que é o rigor da lei, que diz que o crime é um crime público.

Outro ponto é, o perdão que muitas vezes acontece, bem como casos familiares dos autores que acabam por assediar de uma forma descontextualizada as próprias vítimas.

O comandante da PN em São Vicente fez estas declarações, na sequência de uma reação a comunicação social, sobre o caso da jovem da ilha de São Vicente que vive perseguida e ameaçada de morte pelo ex-namorado que não aceita o fim do relacionamento e explica em que pé está o caso da jovem, realçando que a corporação está a trabalhar no caso. “Foram quatro denúncias feitas, mais o auto de notícia, elaborado pela PN e que já foram encaminhadas ao poder judicial.

Neste sentido, João Santos, afirma que não há casos pendentes na Polícia Nacional. “O que a polícia tem pendente é o mandado de detenção que foi emitido contra o ex namorado e que até agora não foi cumprido, porque não se consegue localizar o jovem”.

Com este cenário, o responsável máximo da PN na ilha admitiu a possibilidade do ex-companheiro de Kiara Monteiro, de ter tido informação da existência deste mandado e não estar circulando. “Estamos a trabalhar tentando chegar ao encalço deste rapaz, não tínhamos falado deste caso, concreto, dando tempo que a PN cumprisse este mandato”, refere o intendente da Polícia Nacional, que deixou claro que estão a trabalhar no caso e que não há descaso.

Sobre a criança que tinha sido levada pelo jovem, João Santos disse que sendo pai da criança e não havendo sinais de maus tratos, a polícia fez o que tinha a fazer no momento, ou seja, que fosse devolvida à mãe que o tinha aos seus cuidados. “A PN fez a abordagem e ele fez a entrega da criança, não havendo nenhuma ordem judicial, nem sinais de maus tratos, a policia não fez mais que era o seu dever no momento”, explicou.

“A Polícia tem sim seguido o caso de perto é, a nossa preocupação, embora às vezes as pessoas apontam o dedo de forma inglória, sem saber como as coisas funcionam”, sustentou João Santos que acredita que no país, todos devem saber até onde vai o poder da polícia, o seu papel nestes casos em concreto. “Somos um Estado de Direito Democrático, as instituições funcionam e cada um faz a parte que lhe compete por lei”, concluiu.

EC

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