São Vicente: Mais de 90% dos funcionários da UTA em greve

21/10/2021 12:34 - Modificado em 21/10/2021 12:34

Os trabalhadores, docentes e não docentes, do Instituto Superior de Engenharias e Ciências do Mar da Universidade Técnica do Atlântico (UTA), iniciaram uma greve a partir desta quinta-feira (21), com duração de 48 horas, até dia 22, em São Vicente. Os funcionários pedem uma maior gestão da UTA, justificando que já tem mais de ano da instalação da universidade e que as coisas já deveriam estar a andar, alegam que não foi satisfeita as suas reivindicações.

O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (Sintap), que contraria as declarações da reitora da UTA Raffaella Gozzelino , que na altura do pré-aviso, avançou que não havia motivos plausíveis para a greve, Luís Silva disse hoje que não está nada bem.

“Efetuamos a greve, porque o que disse a reitora não corresponde à verdade. Houve tentativas de negociação de todos os pontos reivindicativos do caderno, mas a maioria não foi atendido, e com isso os trabalhadores decidiram partir para greve”, explicou o secretário-geral da SINTAP, que garantiu que quase 100% dos professores e 80% dos funcionários não docentes aderiram a greve de dois dias.

Sobre o processo de reclassificação, que segundo ​Raffaella Gozzelino, iria estar pronto no passado dia 15, o sindicalista Luís Fortes, admitiu que ontem a noite, 20, foi entregue uma suposta lista de transição, que para o sindicato não é uma lista de transição, justificando que esta vem depois aos estatutos. “Também nos entregou um drafts dos estatutos do pessoal docente e não docente, incompleto”, garantiu.

Neste sentido, os profissionais da universidade, garantiu que apesar dos encontros e promessas da tutela, entenderam que depois de muito tempo de reivindicação e avisos, só agora estão a tentar resolver o problema. “Esta greve está empreendida para mostrar que nem todas as coisas foram atendidas e pretendemos continuar a negociação para ter as reivindicações satisfeitas, e caso não sejam satisfeitas podemos brevemente avançar para uma segunda greve”, ameaçou.

Das reivindicações os funcionários apontam a gestão da UTA, como uma das prioridades. É que, conforme os nossos interlocutores, “passados mais de um ano da instalação da UTA, que possui um caderno de missão com um prazo calendarizado para fazer determinadas coisas, até agora não foram feitas, o que está a emperrar toda a “máquina” académica que deveria estar funcionar”, sustentou Luís Fortes.

Emanuel Ribeiro, porta-voz dos docentes, lamenta que os funcionários estejam neste momento, nesta situação de pedir socorro. “Queremos evitar que esta estrutura que tem um histórico atrás, um histórico de excelência, de competência, como o ISECMAR que tem no mercado de trabalho quadros de valores, esteja nesta situação”.

“É uma universidade que depois de um ano, não tem nenhum instrumento de gestão, não tem um conselho geral, não tem estatuto. Tem uma reitoria desfalcada, por demissões sucessivas e a culpa da greve não é de quem a faz, mas sim, de quem deveria fazer para evitar que os trabalhadores chegassem a esta situação” garantiu Emanuel Ribeiro.

Para este profissional, as reivindicações não são coisas impraticáveis. “Queremos um melhor ambiente académico, queremos instrumentos para poder pautar a gestão dessa instituição, queremos justiça em relação a situações de perseguição, que embora no entender da reitoria, não se chegou a isso. Temos em mãos um processo disciplinar, que quanto aos docentes visa calar uma voz discordante. Isso no seio da academia onde o contraditório é desejável, portanto queremos evitar uma segunda greve”, lamentou.

Sobre o pedido de suspensão da equipa reitoral, que consta do caderno reivindicativo dos trabalhadores, Luís Fortes, disse que cabe ao governo analisar e avaliar o desempenho e, assim tomar uma decisão.

Elvis Carvalho

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