Caso Alex Saab: “Tomámos a decisão que nos pareceu correta em não politizar o processo e deixar os órgãos judiciais fazerem o seu trabalho”- PM

18/10/2021 21:38 - Modificado em 18/10/2021 23:18

O Primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva garantiu que a justiça cumpriu o seu papel no caso do colombiano Alex Saab, vincando que o executivo tomou a decisão “em não politizar o processo e deixar os órgãos judiciais fazerem o seu trabalho”.

Em reação à extradição para os Estados Unidos, onde Alex Saab começou a responder ao tribunal nesta segunda-feira, o governante assegurou que o “processo foi complexo e com muita pressão de toda a natureza”.

“Tivemos muita pressão por parte da comunicação social, muita pressão interna, mas sempre estivemos tranquilos porque o que é da justiça pertence à justiça. O governo não interfere e não decide pela justiça”, garantiu à RFI o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.

O mesmo referiu que o governo “deixou ir o processo até ao fim e passou por todas as instâncias judiciais: o Tribunal da Relação, o Supremo, Tribunal Constitucional e cumprimos o que foi a decisão do tribunal”.

Questionado sobre a causalidade da extradição de Alex Saab ter acontecido em véspera de eleições presidenciais, o primeiro-ministro garante que se tratou de um “mero acaso porque não fizemos nem fizemos tacticismo”. Houve processo no Tribunal Constitucional, não há nenhum outro órgão de recurso, nós aplicamos aquilo que foi a decisão do tribunal”.

Nas palavras de Ulisses Correia e Silva “Cabo Verde foi coerente”. “Somos um país com compromissos internacionais e a segurança é prioritária e estratégica para o nosso país. A segurança é também cooperativa e não podemos estar na cooperação apenas a pedir. Temos de dar alguma coisa em troca da nossa participação para a segurança cooperativa”, justificou.

Para o primeiro-ministro, “Cabo Verde faz parte da Interpol e temos compromissos contra a criminalidade transnacional e assumimos o nosso papel e os tribunais fazem o seu papel”.

Questionado sobre o facto de a Justiça poder ter pendido para os EUA, Ulisses Correia e Silva responde que “a justiça não pendeu para os EUA, a justiça analisou factos. A Interpol não é os Estados Unidos da América”.

Depois de mais de um ano de batalha legal, o departamento dos Estados Unidos da América (EUA) expressou gratidão ao governo cabo-verdiano reconhecendo a complexidade deste caso, ao mesmo tempo que agradeceram a Cabo Verde pelo seu profissionalismo no sistema judicial.

Esta segunda-feira, 18 de Outubro, Alex Saab, terá comparecido perante o juiz do tribunal federal dos EUA no distrito do sul da Flórida.

A detenção de Alex Saab colocou Cabo Verde no centro de uma disputa legal entre o regime de Maduro e a presidência norte-americana, com diversas acusações de abusos e incumprimento das obrigações do país em relação aos direitos do diplomata.

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