Presidenciais 2021: Nem a pandemia amedronta as aglomerações políticas

14/10/2021 23:09 - Modificado em 15/10/2021 15:11

Tal como aconteceu nas campanhas para as autárquicas e legislativas, e mesmo com todas as diretrizes de autoridades contrárias à aglomeração, os candidatos em campanha têm provocado grandes concentrações de pessoas em vários pontos do país, naquilo que pode ser considerada uma clara desvalorização dos riscos de transmissão da pandemia.
Isto acontece justamente numa altura em que a ilha de São Vicente constitui o maior foco de propagação, com registo de mais 16 casos em 158 resultados recebidos pelo laboratório de virologia na passada, quarta-feira, dia 13 de outubro. Neste mesmo dia foram notificadas em Cabo Verde 31 novas infeções em 574 amostras analisadas.

Apesar de o país não estar em estado de calamidade e de não estarem interditos comícios e outros eventos, o facto é que estas aglomerações são claramente desaconselhadas pelas autoridades sanitárias que insistem na manutenção das regras fundamentais como o distanciamento social, o uso de máscaras e a higiene frequente das mãos.
De certo modo esta situação é contrária às medidas e das autoridades sanitárias que têm agido com “mão dura” sobre os estabelecimentos onde haja maiores riscos de contágio.

As imagens publicadas pelos candidatos nas redes sociais mostram grandes enchentes de pessoas nos comícios em todas as ilhas, com atos públicos e campanha porta a porta visando uma maior proximidade em relação aos eleitores.
Descartando a questão de serem apoiantes do candidato A, B ou C, embora as críticas estejam apontadas para os candidatos dos maiores “partidos”, os internautas dizem-se “chocados” com os cenários de aglomerações em plena pandemia, relembrando os sacrifícios feitos por aqueles que estiveram sempre na linha da frente do combate a doença, das mortes. E que esta forma de fazer campanha neste momento, tal como aconteceu antes, é “um atentado à saúde pública”.

Para os mais práticos a responsabilidade desta situação é de todos: “Se os candidatos e partidos estão a promover esse tipo de eventos e o povo adere, apesar de conhecer os riscos, então todos temos culpa”, e concluem: “Infelizmente estamos num país onde a lei é cega para uns e menos para outros, neste caso o povo que paga a fatura mais cara…sempre” e por isso deveria haver “mudança de pensamento primeiro para depois haver mudança de atitudes”.

Conforme a resolução n.º 91/2021 de 30 de setembro, o Governo prorrogou a situação de contingência em todo o país, com base na evolução da situação epidemiológica e do processo de vacinação.

Assim, mantêm-se encerradas as instalações e proibidas as atividades públicas, desportivas, artísticas, culturais, recreativas e de lazer, quando realizadas em condições que não cumpram com as regras sanitárias especificamente aprovadas para o efeito, designadamente quanto à obrigatoriedade de apresentação do certificado covid-19.

Mantém-se também vedada a atividade de dança, nomeadamente em discotecas, clubes, pub dancing, salões e locais onde se realizam festas, que podem, no entanto, funcionar enquanto lounge bar, desde que devidamente autorizados para esse efeito.

A medida é justificada por uma “relativa desaceleração e estabilização” do índice de transmissibilidade da covid-19 em Cabo Verde nos diferentes concelhos nas últimas semanas, suportada nomeadamente pela diminuição das taxas de incidência acumulada e de positividade.


Elvis Carvalho

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