Pobreza atinge máximo de 94,5 por cento na Venezuela, prisão de Alex Saab é uma das causas

2/10/2021 20:15 - Modificado em 2/10/2021 20:15
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A pobreza acaba de atingir o seu valor máximo de sempre na Venezuela, fixando-se nuns históricos 94,5 por cento, tendo aumentado, com ela, os problemas de desigualdade, segundo dados de um estudo divulgados esta semana pela Universidade Católica Andrés Bello (UCAB) e publicado quinta-feira pelo “Jornal Económico”, de Portugal.

“A insuficiência de rendimentos, apesar de ser a principal componente da pobreza multidimensional, perdeu peso (baixando de 51 para 45 por cento em 2021) em comparação com o ano anterior, e basicamente impulsionada pela deterioração dos indicadores das outras dimensões analisadas”, explicou uma das responsáveis pela investigação, Anitza Freitas, professora daquela universidade venezuelana.

Desde o início da vigência das sanções norte-americanas contra a Venezuela, o nível de vida, o bem estar e o acesso aos mais elementares bens de e serviços de primeira necessidade, como alimentos e eletricidade, a saúde e a educação, têm-se deteriorado drasticamente ao ponto de as próprias Nações Unidas terem denunciado a situação de extrema penúria em que vive a população do país, considerado um dos mais ricos do mundo.

O que permitiu minimizar, até um determinado momento, os impactos das sanções americanas, foram os programas de troca de petróleo por comida e medicamentos, mas a perseguição judicial extraterritorial aos empresários venezuelanos encarregados dessa missão – de que Alex Saab é o mais destacado – com os Estados Unidos a alargarem a jurisdição das suas leis nacionais a outros países, como se de direito internacional se tratasse, tem permitido prender ilegalmente esses agentes sob as mais falaciosas acusações, e comprometer a eficácia dos referidos programas.

Alex Saab, diplomata venezuelano preso em Cabo Verde em 12 de Junho de 2020 e com sentença de extradição já decretada pelos tribunais nacionais com a anuência e o aval político do Governo, é o principal artífice dos referidos programas e o seu mais hábil executor, pelo que a sua detenção, durante quase um ano e meio (e que continua) nos calabouços da justiça cabo-verdiana, tem contribuído de forma decisiva para o aumento da pobreza e a degradação das condições de vida dos venezuelanos, como indicam os resultados do estudo agora divulgados.

“Temos um país mais pobre e mais pequeno, com severos problemas de desigualdade. 94,5 por cento da população da Venezuela encontram-se em situação de pobreza e 76,6 por cento estão a ser flagelados pela pobreza extrema”, explicou a professora Anitza Freitas durante a conferência de imprensa de apresentação, em Caracas, do relatório da investigação.

Apenas 5 por cento da população tem como manter o seu nível de rendimentos num país que está em franca recessão e com alta taxa de inflação, de acordo com o documento de síntese da Sondagem Nacional sobre Condições de Vida (ENCOVI 2020-2021), realizada pelo Instituto de Investigações Económicas e Sociais da UCAB.

O relatório precisa, por outro lado, que “os indicadores que mais pesam” são a insuficiência de bens e de rendimentos, o deficiente funcionamento da indústria de produção e distribuição de eletricidade e água, a ausência de segurança, o desemprego e o colapso da rede de educação de adultos.

Pontuam igualmente, entre outros, uma combinação de fatores relacionados com as propriedades dos que emigraram e a custódia desses bens e com o aumento de problemas relacionados com o serviço de água potável e esgotos.

O relatório precisa ainda que 66 por cento das pessoas que não são pobres são as que têm uma ocupação activa, principalmente nas áreas financeira, do comércio e na indústria de manufaturação, e dá conta em contrapartida de que as atividades agrícolas, de serviços elementares (manutenção e limpeza) e as públicas, são aquelas “onde há uma proporção maior de pobreza”, com as mulheres a ganhar menos que os homens. “Se distribuíssemos todos os rendimentos familiares equitativamente entre toda a gente, o rendimento médio per capita seria de 30 dólares mensais por venezuelano, ou seja, 1 dólar diário por pessoa (dpp)”, o que, ainda assim, manteria os venezuelanos “na condição de pobres, embora não extremamente pobres”, segundo a mesma fonte.

A investigação revelou ainda que os rendimentos dos homens venezuelanos são 17,7 por cento superiores ao das mulheres (1,23 dólares contra 1,05 dólares) e que a média de carga de trabalho semanal é de 38 horas para eles e 33 para elas.

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