Defesa de Alex Saab acusa PN de obstaculizar a transferência, por motivos de saúde, do diplomata venezuelano para a cidade da Praia

29/09/2021 12:09 - Modificado em 29/09/2021 12:09
| Comentários fechados em Defesa de Alex Saab acusa PN de obstaculizar a transferência, por motivos de saúde, do diplomata venezuelano para a cidade da Praia

A defesa de Alex Saab, detido em Cabo Verde à espera do desfecho do seu processo de extradição – já decidido pela justiça cabo-verdiana -, acusou hoje a Polícia Nacional (PN) de “pretender impedir”, colocando “obstáculos intransponíveis”, a aplicação do despacho do Tribunal da Relação que no passado dia 2 de Setembro mandou transferir o diplomata para a cidade da Praia para que o mesmo possa ter acesso a assistência técnica especializada em oncologia.

De acordo como o chefe da equipa de advogados do enviado especial da Venezuela, as entidades encarregadas da segurança deste para a capital, têm recusado sistematicamente as propostas de alojamento feitas pela defesa, adiantando ser “extremamente difícil encontrar prédios que satisfaçam os interesses de segurança e não só”.

Para exemplificar essa falta de empenho em fazer cumprir o despacho judicial e mostrar que a PN não está a levar a sério esse assunto, José Manuel Pinto Monteiro refere-se, num e-mail endereçado àquela entidade, à proposta por ela feita, num relatório recente, de proceder à extração de Alex Saab por helicóptero, “como se houvesse esses aparelhos em Cabo Verde ou que pudessem entrar no espaço aéreo de Cabo Verde, vindo de um outro país”.

“A obrigação de Alex Saab é encontrar um prédio para ele permanecer em habitação, conforme diz o despacho, e nunca arranjar condições ideais para o pessoal da segurança, sendo certo que esse o dispositivo é colocado no lugar pelos serviços da Polícia e da forma como muito bem entenderem, incluindo o recurso a contentores para a guarda das armas e equipamentos da segurança e a colocação de agentes em redor do prédio em que ele ficar”, esclarece o advogado.

Segundo a defesa, as exigências feitas no relatório da PN são irrealizáveis, uma vez que “é quase impossível encontrar, na Cidade da Praia, prédios que satisfaçam os critérios expostos”, pelo que a única explicação que os advogados encontram é que, “na prática, pretende-se impedir a execução e a aplicação do despacho do Juiz Desembargador, colocando obstáculos intransponíveis para a transferência de Alex Saab”.

Os representantes legais do diplomata recordam que “desde 2 de Setembro de 2021 que o despacho foi emitido sem que, até ao presente momento, se tivesse procedido à transferência do diplomata venezuelano” em cumprimento do despacho judicial, registando-se em consequência “o agravamento da situação de doença de Alex Saab”.

Assim, a defesa reitera, criticando a “invenção de cenários como a utilização de helicópteros”, a disponibilidade de um prédio já identificado e localizado num dos bairros da capital cabo-verdiana para acolher Alex Saab, além de mais duas habitações na mesma localidade destinados a serem utilizados pela Polícia Nacional.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2021: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.