Ajuste das tarifas de eletricidade é um aumento “brutal” e “vergonhoso” – UCID

10/09/2021 17:11 - Modificado em 10/09/2021 17:12

O ajuste dos preços da eletricidade da ELECTRA e da AEB – Água e Eletricidade da Boa Vista, continua a suscitar as mais diversas reações, tendo em conta o aumento das tarifas, principalmente para a para o consumidor doméstico, levou a UCID a se pronunciar sobre o assunto que considera ser “brutal” e “vergonhoso”.

A União Cabo-verdiana Independente e Democrática, UCID, em conferência de imprensa esta manhã, no Mindelo, considerou que este ajuste fará um aumento brutal, vergonhoso para as capacidade económica da população cabo-verdiana, referiu António Monteiro que assegurou no entanto que não estão a culpabilizar a Agência Reguladora Multissectorial da Economia – ARME que analisa os dados e decide o que tem de decidir.

A UCID entende que qualquer que seja a atividade de uma entidade reguladora, ela é quase sempre respeitada na medida que são consideradas autoridades independentes e baseiam-se pura e simplesmente em questões técnicas para decidirem tecnicamente e poderem regular os diversos sectores sob as suas responsabilidades.

Analisando os parâmetros para este ajuste tarifário que para António Monteiro “São os custos não relacionados com os combustíveis e mais a parcela dos custos relacionados com os combustíveis”.

“Em relação ao primeiro entendemos que há uma ineficiência tremenda porquanto integra esta parcela várias questões nomeadamente a problemática das dívidas, de mais de 11 milhões de contos que tem que ser amortizados ao longo dos tempo e estes custos vão cair no bolso dos contribuintes e consumidores”.

Com efeito, a UCID acredita que o governo deve reanalisar a empresa e fazer, se possível, um saneamento financeiro, para podermos-lhe tirar dos custos quilowatts hora (kWh), que tem outros significados.

Em relação aos custos relacionados com os combustíveis, o presidente da UCID, refere que estes levam em conta a variação dos combustíveis no mercado internacional e a aproximação do custo do fuel 380, ou do gasóleo. Este ponto leva-nos a tomar algumas decisões tendo em conta os dados, e aqui é que deverá entrar o governo definirmos uma política energética diferente daquela que temos tido até hoje”.

Esta  ineficiência é justificada por este líder político considerando a fraca penetração das energias renováveis. “E neste quesito, os sucessivos governos têm falhado”, apontou António Monteiro que critica a falta de uma atitude mais proactiva dos sucessivos governos para que o país tivesse um índice de penetração de energia renovável superior aos 19%  e deste modo “não teríamos um consumo elevadíssimo do fuel 380 nas grandes centrais, como Praia, São Vicente e Sal e também não teríamos um consumo elevado nas centrais de médio porte”.

Recordando os anúncios do anterior governo que prometeu até 2020 uma ilha com energias 100% renováveis e as restantes ilhas uma penetração com mais de 50% “seria ouro”, afirmou.

No programa do atual governo, também, referiu a existência de um compromisso de até 2030 ter até 50% de energia renovável.

Tendo em conta a situação, António Monteiro, apelou ao governo a acelerar o programa de energias renováveis para “podermos ter a capacidade de diminuir significativamente o custo de kilowatt hora, porque os aumentos são brutais e os cidadãos não vão conseguir suportar este aumento”.

Elvis Carvalho

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