Mais de 48.000 pessoas desaparecidas em África por conflitos e violência

30/08/2021 15:00 - Modificado em 30/08/2021 15:01
| Comentários fechados em Mais de 48.000 pessoas desaparecidas em África por conflitos e violência

O Comité Internacional da Cruz Vermelha (ICRC, na sigla em inglês) registou mais de 48.000 casos de pessoas desaparecidas no continente africano devido a conflitos armados, violência e em contexto migratório, revela um estudo hoje divulgado na África do Sul.

A crise humanitária disparou em África”, adiantou o diretor regional para África do ICRC, Patrick Youssef, na apresentação por videoconferência do relatório elaborado com o Instituto de Estudos de Segurança (ISS, na sigla em inglês), na capital sul-africana Pretória.

Nesse sentido, o responsável destacou os casos de Moçambique, Camarões e República Centro-Africana, apelando aos decisores nacionais no continente para que exerçam “a sua responsabilidade nesta preocupação humanitária”.

“Mas esta é apenas uma fração da maior tragédia humanitária não documentada do continente”, sublinhou Patrick Youssef.

Na sua intervenção, a relatora especial sobre Refugiados, Requerentes de Asilo, Deslocados Internos e Migrantes em África, da Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, Maya Sahli-Fadel, frisou também que a “questão das pessoas desaparecidas é recorrente no continente africano”.

A relatora especial referiu que a União Africana (UA) adotou uma resolução instando os Estados-membros “a respeitarem a dignidade humana”, acrescentando que a implementação da resolução africana depende de uma maior “colaboração” entre a UA e várias organizações e instituições internacionais, nomeadamente a União Europeia (UE).

“É necessária maior colaboração, por exemplo, na resolução das rotas migratórias a partir do norte do continente através da Líbia”, salientou.

Amaya Fernandez, conselheira do ICRC para os desaparecidos e suas famílias para a África Ocidental, explicou depois que mais de 45% das pessoas desaparecidas tem menos de 18 anos, sendo que 61% são homens.

“O ICRC documentou até agosto deste ano, cerca de 16.800 mulheres, dos quais 60% são jovens raparigas menores de 18 anos”, frisou a responsável na sua intervenção.

Amaya Fernandez referiu que os migrantes usam rotas “perigosas” devido ao aumento da “securitização dentro e fora de África”.

A responsável salientou que ao abrigo da lei humanitária internacional, os Estados têm duas obrigações: “A obrigação de impedirem o desaparecimento e a obrigação de esclarecerem o paradeiro das pessoas desaparecidas”, declarou.

“Os Estados têm a responsabilidade de responderem cabalmente às necessidades das famílias das pessoas desaparecidas”, vincou Amaya Fernandez.

Na videoconferência de hoje, a partir de Pretória, foi assinalado o Dia Internacional dos Desaparecidos através de casos filmados no continente.

Os participantes sublinharam que “as famílias são fundamentais para os esforços de prevenção, assim como para reforçar as instituições e a legislação adequada” no combate à problemática de pessoas desaparecidas em conflitos armados, violência, desastres e em contexto de migração regional.

Nesse sentido, o comissário assistente da Polícia da República do Zimbabué, Crispen Lifa, sublinhou a necessidade de haver “maior cooperação” internacional, formação e capacitação “forense” das forças de segurança regionais para assistir as famílias afetadas e de canais de comunicação adequados em como reportar casos de desaparecimento pela Polícia.

“Os nossos membros precisam de saber a importância da comunicação entre os vários departamentos durante as investigações”, frisou o agente policial.

“Julgamos que também é necessário criar uma base de dados que deveria ser constantemente atualizada pelas esquadras de polícia sobre todas as pessoas desaparecidas, incluindo aqueles que já faleceram”, adiantou Crispen Lifa.

Lusa  

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2021: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.