Artesãos de São Vicente defendem aposta em matérias-primas de origem nacional

23/08/2021 01:03 - Modificado em 23/08/2021 01:37
| Comentários fechados em Artesãos de São Vicente defendem aposta em matérias-primas de origem nacional

 
Os artesãos de São Vicente defendem uma aposta mais consciente na utilização de matérias-primas nacionais para a manufatura de artesanato nacional, tendo em conta a necessidade de valorização dos recursos locais e de diminuição dos custos de importação dessas matérias-primas.

O tecelão Marcelino Santos, que dá voz aos profissionais da área e que participou durante 15 dias, numa formação designada “Rbera-Residência Artística”, ministrada pela designer têxtil senegalesa Johanna Bramble, no Centro Agro-ecológico do Madeiral, em São Vicente, defende que é preciso apostar no aproveitamento do que existe localmente.

Na opinião desse criador, a dependência de matérias-primas importadas acaba por condicionar a produção artística, não apenas em termos de qualidade e quantidade, como também pelo facto de esses materiais serem caros e, muitas vezes, coisas que podem ser encontradas no país.

A experiência de plantação de algodão no Centro Agro-ecológico do Madeiral é um bom exemplo disso, indicou Marcelino Santos, destacando a circunstância de o cultivo ser feito pelos próprios artistas, que também “garantem todo o processamento, da plantação ao descaroçamento até se obter o fio de algodão”.

“Até agora não dávamos muito valor ao que aqui temos, e esta residência artística foi um despertar”, considerou o artesão, destacando que “ao usar a matéria-prima local, o artista passa a depender menos do exterior e a pagar um preço inferior ao que se paga quando se compra no estrangeiro”.


Além do fio de algodão de produção local que está a ser agora usado na tecelagem mindelense, estão a ser pesquisadas, identificadas utilizadas outras matérias-primas a partir de ideias levadas por cada participante na Rbera-Residência Artística, com “resultados positivos” na óptica de Marcelino Santos.

O tecelão defende, assim, com base no que está a ser conseguido, que os artistas e artesãos devem “olhar mais à sua volta e utilizar a matéria-prima local”, que às vezes, como reconheceu, “está perto mas o artesão não se apercebe”.

Marcelino Santos indicou que os participantes na formação estão “felizes com os resultados” alcançados e “ansiosos pela possibilidade da comercialização do seu trabalho nos países da África Ocidental”, que constitui um dos objectivos da residência artística.

Elvis Carvalho

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2021: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.