Rússia condena detenção e pedido de extradição de Alex Saab, e alerta para os perigos desse precedente de prisão de diplomatas

12/08/2021 14:28 - Modificado em 12/08/2021 14:28
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O Governo da Rússia, através do seu Ministério das Relações Exteriores (MRE) acaba de emitir uma condenação formal e pública do que qualifica como “acções ilegais” levadas a cabo pelo Governo norte-americano para extraditar o Enviado Especial da Venezuela, Alex Saab, para os Estados Unidos, a partir de Cabo Verde, onde se encontra preso desde 12 de Junho de 2020.

Através de um pronunciamento feito pelo Departamento de Informação e Imprensa do MRE, a Rússia “chama a atenção para a situação flagrante” do Enviado Especial venezuelano, Alex Saab, detido em 20 de Junho de 2020 na ilha do Sal pelas autoridades cabo-verdianas, “e objecto de um pedido de extradição para os Estados Unidos, “apesar do seu passaporte diplomático”. 

“A prática de prender cidadãos de outros países, incluindo a Federação Russa, em países terceiros, sob acusações fabricadas por agências policiais dos EUA, tornou-se um infame cartão-de-visita dos Estados Unidos. Agora Washington parece ter decidido ir para um novo nível, estabelecendo um precedente grave, de extradição de uma pessoa com estatuto diplomático”, refere o comunicado do Governo russo. 

Face a esta prática, a posição do MRE da Rússia é clara: “Condenamos veementemente essas ações, cujo pano de fundo político é inquestionável. Consideramos inaceitáveis estas tentativas de aplicar extraterritorialmente as leis dos EUA, principalmente quando se destinam a acertar contas políticas com governos ‘indesejáveis’ através da repressão contra os seus representantes oficiais”.

O comunicado agora divulgado recorda que Alex Saab estava a cumprir uma missão humanitária quando foi detido pelas autoridades cabo-verdianas, e afirma estar o Governo da Rússia “convencido de que o desejo das autoridades dos EUA, de extraditar um diplomata de um país estrangeiro, pode ter um impacto negativo nas relações internacionais, e um “efeito boomerang”.

Com esta afirmação, a Rússia está a chamar a atenção para a possibilidade, a partir do precedente aberto em relação a Alex Saab, de o estatuto de diplomata vir a ser violado e desrespeitado sistematicamente por quem assim entenda, constituindo tal perspectiva um perigo para qualquer país, incluindo os Estados Unidos.

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