Possibilidade de circulação da variante delta da SARS-CoV-2 em São Vicente preocupa população

12/08/2021 07:35 - Modificado em 12/08/2021 07:43
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A eventual e provável futura circulação em São Vicente da variante Delta do Coronavírus, que já está presente em Santiago, onde já foram detectados 4 casos, começa a preocupar a população mindelense, que receia ficar exposta ao contágio, pela importação da estirpe, devido ao grande fluxo de pessoas existente entre as duas ilhas.

Foi o próprio ministério da saúde a dar conta, na semana passada, da existência de casos Delta na capital, o que fez disparar os alarmes no seio da população cabo-verdiana, devido ao que se conhece quanto à virulência da estirpe em causa, e às eventuais consequências para a saúde pública.

Em São Vicente, pessoas entrevistadas pelo Notícia do Norte (NN) mostraram-se “bastante preocupadas”, com a possibilidade de terem de conviver com a variante Delta do SARS-Cov2, o que, além de agravar os problemas de saúde pública, irá obrigar, à tomada, mais uma vez, de medidas restritivas condicionantes da vida das populações, da interacção social e do funcionamento da economia.

Em declarações ao NN, Cátia Monteiro foi uma das pessoas abordadas, e disse que se trata de “uma preocupação acrescida para todos” porque, com a presença dessa nova variante no país, corre-se mais risco de se registar “uma multiplicação de contágios e de casos graves”.

A entrevistada é da opinião de que, mesmo os primeiros casos tenham sido detectados em Santiago, a alta capacidade de contágio da Delta faz recear que a estirpe possa já ela possa estar a circular também em São Vicente.

Cátia Monteiro mostrou estar relativamente bem informada sobre o vírus, indicando que os sintomas “são ligeiramente diferentes e mais graves do que os das outras variantes”, o que implica, na sua opinião, que a população “deve aderir em massa a vacinação” para a protecção da comunidade.

Igualmente entrevistado pelo NN, Miguel Duarte não se mostrou surpreendido com a circulação da Delta em Cabo Verde, pelo facto de que, em Portugal, que considera ser “o principal emissor de passageiros para Cabo Verde”, essa é a variante “actualmente predominante neste momento.

“Todos os dias chegam muitas pessoas ao país, provenientes sobretudo de Portugal, que tem ligações diretas com a Praia e São Vicente”, referiu o nosso interlocutor, para quem era evidente que as probabilidades de a estirpe vir a circular em Cabo Verde eram de “quase 100 por cento”.

Para um cidadão atento já se sabia que esta possibilidade de termos novas variantes a circular no país era quase de 100%” ressalva este mindelense, que diz que o melhor remédio neste momento é a vacinação, que segundo o mesmo está a correr bem com muita aderência.

As preocupações relacionadas com a vertente Delta são, de resto, de abrangência geral em São Vicente, e vão aumentando, sendo um dos assuntos mais comentados presentemente na ilha, onde os conhecimentos sobre o mesmo parecem ser relativamente sólidos no seio da população. 

De acordo com Mírcia Miranda, a eventual circulação da estirpe “é muito preocupante” por ser “uma uma variante que provoca mais mortes”. Assim, defendeu que “a população deve a aderir ainda mais à vacinação”, sendo certo que o vírus também pode atingir severamente as pessoas vacinadas

Um dado importante a reter é que a vacina da AstraZeneca, a mais utilizada em Cabo Verde, apresenta 33 por cento de eficácia contra a variante Delta depois da primeira dose, e 66 por cento após a aplicação da segunda dose. Quanto à vacina da Pfizer, a imunização com a primeira dose também se situa nos 33 por cento, enquanto, com a segunda dose, aumenta para 88 por cento, comparada com a AstraZeneca.

No entanto, segundo os especialistas, a proteção contra a variante Delta do SARS-Cov2 só se fica garantida 15 dias depois da primeira dose, e nem depois da segunda dose a vacina é 100 por cento eficaz, sendo, por isso, de relembrar que uma boa protecção inclui o uso de máscaras, o afastamento das aglomerações, a prática do distanciamento social e a higienização das mãos.

AF/NN

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