Com o avanço da vacinação, muitos cidadãos deixam de usar máscaras na via pública em São Vicente

9/08/2021 01:54 - Modificado em 9/08/2021 01:55

O uso obrigatório de máscaras no combate à propagação da Covid19 parece estar a perder terreno em São Vicente, onde muitos cidadãos, para justificarem a sua atitude, argumentam ser a vacina mais do que suficiente para conter o contágio, enquanto outros deixaram de usar esse acessório, incentivados pela falta de fiscalização pelas autoridades.

Este incumprimento, mesmo contrariando as recomendações dos especialistas segundo as quais a máscara ainda é um dos meios mais eficazes de evitar os contágios, tornou-se mais percetível depois de o Governo ter colocado o país sob o estado de contingência – com um nível menos exigente em termos de cuidados sanitários – mas sem levantar a deliberação, datada de Novembro de 2020, a favor do uso obrigatório de máscaras na via pública.

A obrigatoriedade do uso de máscara nos espaços públicos continua valida em situações de contingência ou de calamidade, mas o cenário nas ruas da cidade do Mindelo é bem diferente daquele que se constatava há apenas algumas semanas, antes do levantamento do estado de calamidade.

Verdade seja dita que as máscaras continuam a ser exigidas e usadas nos lugares públicos fechados, mas com o avanço da campanha nacional de vacinação, as pessoas tendem a relaxar, atenuando o nível de rigor no cumprimento das obrigações sanitárias na proporção em que a imunização avança, os números de contágio caem e as admissões hospitalares diminuem.

Notícias do Norte (NN) saiu às ruas da cidade para tentar perceber as motivações para o comportamento menos cuidadoso das pessoas, e segundo uma das nossas interlocutoras, Carla Nascimento, que se encontrava sem máscara no momento desta reportagem, a situação epidemiológica em São Vicente era “muito boa”, pelo que não considerava “necessário” o uso dessa protecção.

“Já estou vacinada e não vejo motivos para continuar a usá-la na via pública. Entendo que muitas pessoas ainda não foram vacinadas, mas eu tomo todas as minhas precauções” defendeu, mesmo considerando não ser útil o uso da máscara.

Outra ideia que ficou da conversa é que a medida que determina a obrigação de usar máscara “devia ser revista” e aplicada apenas no que se refere aos espaços fechados, públicos ou privados.

Já Marcos Neves, outro cidadão entrevistado por NN, disse ter constatado que a fiscalização passou a ser menos rigorosa do que aquela que antes era feita, acrescentando, em tom de crítica, que as autoridades passaram a ter “mão leve” no que respeita a esta questão.

“Mesmo tendo a taxa de vacinação ultrapassado os 60 por cento em São Vicente, não podemos baixar a guarda porque há muita gente que ainda não foi imunizada. Irei continuar a respeitar as medidas tomadas pelas autoridades porque o vírus continua a circular” contrapôs o nosso interlocutor.

Por sua vez, e na linha de outras opiniões ouvidas, Stefan do Rosário afirmou que os indicadores em São Vicente são bons, pelo que as medidas devem ser amenizadas, nomeadamente no que respeita ao uso de mascara na via pública, uma vez que a situação “já não é como há dois meses.

De acordo com o nosso entrevistado, São Vicente tem, hoje, “uma situação bastante boa à semelhança do que acontece noutras ilhas”, devido aos “muitos ganhos” conseguidos nos últimos meses com a vacinação, o que deverá permitir que a lei seja “revista”.

Stefan do Rosário aconselha, porém, que os cabo-verdianos “devem continuar a observar as outras medidas de proteção individual”, por entender que “que somente uma proteção eficaz poderá ajudar o país a sair da crise sanitária em que se encontra. Mas independentemente das opiniões que possam ter em relação ao uso de máscaras individuais na via pública, os interlocutores de NN são, todos, a favor da imunização das pessoas, e aplaudem o ritmo que a vacinação está a seguir em São Vicente

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2021: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.