Amadeu Oliveira – Protagonista ou inimigo?

23/07/2021 01:44 - Modificado em 23/07/2021 01:54

O nome de Amadeu Oliveira e a sua ida para a cadeia de Ribeirinha, após lhe ter sido aplicado como medida de coação, prisão preventiva por estar “fortemente indiciado” de dois crimes de atentado contra o Estado de Direito, bem como um crime de ofensa a pessoa coletiva, previsto e punido pelo artigo 169 do Código Penal tem por estes dias, sido um dos principais assuntos nas redes sociais e não só.

Em causa, um processo que lhe foi instaurado na sequência da preparação e execução do plano de “fuga” da prisão domiciliária e saída do país do seu cliente Arlindo Teixeira.

Uma decisão que tem levantado várias reações, desde de colegas advogados, movimentos civis, deputados e a própria sociedade civil, que tem escolhido as redes sociais para lançar o debate sobre este tema que tem divido as opiniões a nível nacional. Afinal, o cidadão Amadeu Oliveira é um herói ou bandido? Alguém que luta por uma justiça melhor e para todos ou por interesses individuais?

São vários os debates e as opiniões dos apoiantes de Oliveira e os que defendem que a justiça agiu bem em manda-lo para cadeira para esperar o processo.

“Conseguiu sair do país uma vez sem que ninguém soubesse, levando consigo, alguém responsável pela morte de outra pessoa. Voltou para mostrar a todos o que pode fazer, assumiu perante toda a nação o que fez, sem sequer importar com as consequências. Deixou uma família sem ver a justiça sendo feita. Uma família que já que perdeu um filho, um pai e um irmão, pelas mãos de Arlindo Teixeira”, afirma um internauta que diz ainda que “para um criminoso é justo que vá pra cadeia”.

Esta é apenas uma das muitas reações suscitadas por este caso. Outros defendem que “aqueles que aplaudem prisão de Amadeu Oliveira estão do lado da corrupção e da ineficiência da justiça”.

Com efeito sustentam que, doravante “quem ameaçar o Estado de Direito, ou seja, denunciar o que está mal, vai preso”, uma situação que dizem deixa vários questionamentos sobre qual a intenção desta prisão preventiva.

Outros vão mais longe, alegando que relativamente ao caso do Amadeu Oliveira, trata-se de “uma perseguição da corporação judicial”. E defende que, embora tenha agido contra a justiça que tanto prega, deve ter tido as suas “razões para levar a efeito tal façanha, a favor do seu constituinte, em que foi retirá-lo de Cabo Verde”.

E que a saída do país, com Arlindo Teixeira, além de não acatar uma decisão judicial, serviu também para “demonstrar alguns pontos fracos do sistema judicial do nosso país, atendendo que tinha sido devolvido o passaporte do arguido”.

E justificam o apoio, pelo facto de se identificarem com a sua luta, “por ser alguém que não foge as suas responsabilidades e ser o primeiro advogado no país que enfrentou e continua a enfrentar a dita justiça” de frente, relativo a falhas no seu sistema.

Por outro lado, os que defendem que esta foi a melhor decisão para esta “novela” que tem sido o caso Amadeu Oliveira que quer apenas “protagonismo”.

Portanto apontam a decisão do juiz do Tribunal de Relação do Barlavento como “corajosa” e que é de “tirar o chapéu”, já que consideram que veio tarde.

Neste quesito, os que aplaudem a decisão da prisão preventiva, seguem quase todos a mesma linha. “Ele acobertou um suspeito de assassinato. Ajudou-o a fugir das suas responsabilidade que é pagar pelo crime que cometeu”.

Em relação a “sua luta sobre o melhor justiça para todos”, acusam-no de ser populista e que embora, exista muitas coisas a serem melhoradas, nem tudo está mal. “Quando ele diz que tudo está mal é mentira. Ele fala apenas o que muitas pessoas querem ouvir. Não está tudo mal nem nunca estará tudo bem”. Há juízes bons e juízes maus. Mas não é um advogado com causas pendentes que vem dizer isso”.

Uma medida desproporcional, ou não, o facto é que agora o Amadeu Oliveira vai aguardar em cárcere privado o desenrolar do processo que está em segredo de justiça.

EC

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