Caso Amadeu Oliveira despoleta discussão acesa entre Governo e PAICV

14/07/2021 16:18 - Modificado em 14/07/2021 16:19
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Caso Amadeu Oliveira despoleta discussão acesa entre Governo e PAICV.

A saída do país do arguido Arlindo Teixeira, em prisão domiciliária, é vista pelo PAICV como uma situação que põe em causa a credibilidade do sistema nacional de segurança interna e “desprestigia a reputação” das fronteiras cabo-verdianas.

Para o porta-voz do grupo parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Démis Lobo Almeida, durante a declaração política, Arlindo Teixeira “desafiou o sistema nacional de segurança interna” ao sair do país, quando se encontrava em prisão domiciliária, por decisão do Supremo Tribunal de Justiça.

Neste sentido apontou que o cidadão-arguido saiu do País “num voo comercial, pela porta da frente, atravessando um dos seus corredores principais, debaixo dos mais diversos holofotes”.

“Os factos graves que subjazem a estas questões atiram para níveis rasos a credibilidade do sistema nacional de segurança interna, e em muito desprestigiam a segurança e a reputação das nossas fronteiras”, frisou o PAICV.

Nisto, salientou que o mesmo “franqueou todos os serviços de controlo”, que supostamente existem para “garantir a nossa segurança interna, bem como a segurança e a credibilidade das nossas fronteiras” e que aconteceu foi como “se fosse o mais livre dos cabo-verdianos”.

“O cidadão-arguido não fez um túnel para sair da sua habitação, não se travestiu de pessoa outra, nem usou qualquer disfarce, máscara ou burca, com o fito de passar-se despercebido e não se encontrava na posse de quaisquer documentos falsos” entaleceu.

“Não viajou em nenhuma embarcação ou aeronave sem registo, ou qualquer outro objecto não identificado que circula fora do alcance dos radares nacionais. Cabo Verde recebeu com perplexidade, a notícia segundo a qual Arlindo Teixeira, sob a medida de coacção de obrigação de permanência na habitação, conseguiu sair do país”, frisou.

O PAICV pergunta como foi possível que o arguido tenha “trespassado a cidade do Mindelo e franqueado o aeroporto internacional de São Vicente, sem que nenhum operacional da polícia tivesse se apercebido”.

“Exigimos que sejam apuradas e assumidas responsabilidades, para que jamais tal situação vexatória volte a suceder” concluiu Démis Almeida.

Em resposta o Ministro da Administração Interna, Paulo Rocha disse que a declaração política do PAICV é um ataque a Polícia Nacional e ao sistema de segurança nacional.

Paulo Rocha estranha que o PAICV tenha detalhado todas as circunstancias da fuga do advogado e do seu cliente, quanto decorrem ainda o processo de averiguação para apurar todas as circunstancias.

“O deputado veio com uma clara intenção de desferir um ataque violento em relação a Polícia Nacional e agora ao sistema de segurança nacional, suportado com o alegado conhecimento que tem das circunstâncias em que tudo aconteceu e que detalhou aqui e obtido sabe-se como. Isto quando se disse e afirmamos que está a decorrer uma averiguação das circunstâncias do ocorrido” aclarou Paulo Rocha. Com base nas declarações do deputado, o MAI garantiu que o PAICV coloca em causa a credibilidade das instituições de defesa do país, mas sobretudo o próprio país.

Também o grupo parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD-poder) através do seu líder parlamentar, João Gomes em relação à intervenção do PAICV, declarou “confiança” nas instituições cabo-verdianas, nomeadamente a Polícia Nacional e os Tribunais.

É nestes factos que diz que o partido subscreve na íntegra a intervenção pública do primeiro-ministro sobre esta matéria envolvendo Arlindo Teixeira e Amadeu Oliveira.

“Lembro que está em curso um inquérito, pelo que tem que haver paciência e esperar pelos resultados da averiguação” preconizou.

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