Época balnear São Vicente – Praias sem vigilância e correntes de retorno na origem de muitas mortes

13/07/2021 20:31 - Modificado em 13/07/2021 20:33
Correntes de retorno na origem de muitas mortes

A morte da jovem, de 22 anos na quinta-feira, 8, no mar da Praia Grande de São Vicente, veio levantar o debate, sobre a falta de fiscalização e uma maior presença de nadadores- salvadores nas praias afastadas do centro, como é o caso Norte Baía, Praia Grande, Calhau, Salamansa e não menos importante, Praia de Jon Debra, considerado perigoso para banhistas.

Iniciada em meados de Julho, a época balnear já registou a nível nacional, três casos de afogamento, dois em São Vicente e um na cidade da Praia, de três jovens na casa dos 22 anos.

Das praias mais frequentadas em São Vicente, a praia da Laginha é aquela que possui maior vigilância, devido a afluência de pessoas principalmente nos fins-de-semana e, por isso, todos os dias é vigiada por nadadores-salvadores, as restantes apenas no domingo, e são a Praia Grande, São Pedro praias de “Chez Loutcha”, ou de “Vila miséria” no Calhau.

 As restantes não possuem vigilância porque não são consideras praias balneares, não obstante o fluxo de pessoas que os vistam, principalmente aos fins-de-semana.

De acordo com as informações, Ashley Monteiro que faleceu no final da tarde de quinta-feira numa destas praias afastadas da cidade, segundo informações avançadas pelo delegado de Saúde de São Vicente, Elísio Silva ela teria sido arrastada pela corrente e se afagou. E por ter sido numa terça-feira, a praia não tinha presença de um salva-vidas.

Por outro lado, uma das principais causas de morte nas praias, são estas correntes, denominadas, de correntes de retorno que existem em muitas praias de Cabo Verde, em particular, nas que ficam no Norte do arquipélago.

Correntes de retorno na origem de muitas mortes

Em São Vicente, podem-se encontrar essas correntes em praias como Norte Baía, Praia Grande, Calhau. As correntes de retorno variam em tamanho, largura, profundidade, forma, velocidade e potência. Elas são formadas, geralmente, da seguinte maneira: quando as ondas quebram, elas empurram a água acima do nível médio do mar.

Uma vez que a energia da água é despendida, a água que ultrapassou aquele nível médio é empurrada de volta pela força da gravidade. Contudo, quando ela é empurrada de volta, mais ondas podem continuar a empurrar mais água acima daquele nível médio, criando o efeito de uma barreira transitória (temporária).

A água de retorno continua a ser empurrada pela gravidade e procura o caminho de menor resistência. Este pode ser um canal submerso na areia ou a areia ao lado de um quebra-mar ou píer, por exemplo. Como a água de retorno se concentra nesse canal, ela torna-se numa corrente movendo-se para dentro do mar. Dependendo do número de factores, esta corrente pode ser mais ou menos forte.

Algumas correntes de retorno dissipam-se muito próximo à praia, enquanto outras podem continuar por centenas de metros. É importante notar que as ondas não quebrarão sobre um canal submerso. Além disso, a força de uma corrente de retorno movendo-se para dentro do mar num canal tende a diminuir a potência das ondas que entram.

Como reconhecê-las?

Sinais e características das correntes de retorno

Água castanha e descolorada, devido à agitação da areia do fundo, causada pelo retorno das águas;

Água com tonalidade mais escura, devido à maior profundidade, sendo atractivas para banhistas desavisados;

Água mais fria após a linha de arrebentação, significando o retorno de águas mais profundas;

Ondas quebram com menor frequência ou nem chegam a quebrar, devido ao retorno das águas e à maior profundidade;

Local onde ocorre a junção de duas ondas provindas de sentidos opostos;

Local por onde o surfista experiente geralmente entra no mar;

Nas marés baixas, formam ondas do tipo buraco, alimentadas pela água no seu retorno;

Pequenas ondulações na superfície da água, causando um rebuliço, em virtude da água em movimento (pescoço da vala);

Espuma e mancha de sedimentos na superfície, além da arrebentação, onde a vala perde a sua força (cabeça da vala);

Ocupação de uma faixa maior de areia devido ao maior volume de água, provocando uma sinuosidade ao longo da praia (boca da vala);

Escavações na areia, formando cúspides praias em frente às valas;

Perpendiculares à praia, podendo apresentar-se na diagonal;

Delimitam ou são delimitados por bancos de areia;

Mais difíceis de serem identificadas em dias de vento forte e mares agitados;

Mais evidentes em marés baixas;

Perda da força de 5 a 50 metros após a linha de arrebentação;

Composição em três partes: boca ou entrada, pescoço e cabeça;

Como escapar das valas e das ondas?

Se cair numa vala, não entre em pânico, nade diagonalmente no sentido da corrente até conseguir escapar. Um banhista cansado ou com habilidade limitada deve flutuar para dentro do mar, até à cabeça da vala, nadar paralelo à areia por 30 ou 40 metros e então prosseguir num trajecto perpendicular à praia, pelo baixio (banco de areia), onde as ondas facilitarão a saída do mar (fluxo de água no sentido da areia).

Nadadores fortes devem traçar um ângulo de 45 graus a favor da corrente lateral e nadar em direcção à praia. Mesmo os melhores nadadores não devem nadar contra as correntes de retorno. Deve-se sempre observar as ondas, pois quando elas se rompem (quebram), formam espumas que não têm sustentação para permitir a flutuação. Se uma onda for “quebrar na sua cabeça” e não haver como escapar dela, encha os pulmões de ar, prenda a respiração, afunde, mantenha a calma e só tente subir após a forte turbulência ter passado.

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