PN desmente ter tentado impedir ou obstaculizar exames médicos de Alex Saab

10/07/2021 16:04 - Modificado em 10/07/2021 16:07

O Comandante Regional da Polícia Nacional (PN), na ilha do Sal, Orlando Évora, rejeitou hoje, considerando-as “inaceitáveis”, as acusações feitas pela defesa de Alex Saab contra agentes da corporação, que teriam violado direitos pessoais do diplomata venezuelano, durante uma visita médica de dois especialistas estrangeiros que se deslocaram expressamente a Cabo Verde para o efeito, e obstaculizado o trabalho dos médicos em questão.

De acordo com os advogados, a visita, “finalmente autorizada para as 14:00 do dia 7 de Julho, foi, no entanto “inicialmente impedida pela polícia”, tendo-se realizado “em “condições inaceitáveis, violando o direito à privacidade e à dignidade do detido e obrigando os especialistas a procederem aos exames sob a ameaça de soldados armados na sala, onde também havia agentes policiais e médicos destacados pelo Governo”.

A denúncia dá ainda conta da apreensão, pela PN, de uma das ampolas contendo amostras do sangue de Alex Saab, recolhido pelos médicos para posteriores análises laboratoriais mais detalhadas. Também se refere uma suposta tentativa de impedimento de embarque dos referidos especialistas pelas autoridades aeronáuticas do Aeroporto do Sal, alegadamente após uma denúncia “proveniente do gabinete do comandante”, Orlando Évora, de que os dois
especialistas estariam a levar para o avião material perigoso, designadamente “garrafas com
sangue”.

Contactado pelo Notícias do Norte, Orlando Évora explicou que a polícia “apenas é responsável pela segurança do Sr. Alex Saab” e que se limita a “responder às notificações e a cumprir os despachos do tribunal”, adiantando, desmentindo o suposto impedimento, que no caso em alusão, a PN recebeu o despacho por volta das 12:00 de quarta-feira, 7 de Julho, e que a visita foi realizada no horário previsto.

“Como determinava o despacho, nós tínhamos de supervisionar a tarefa dos médicos, e foi isso que fizemos. Tudo foi feito no cumprimento da lei e do despacho do TRB”, garantiu ainda o Comandante Regional do Sal da Polícia Nacional, questionado sobre a presença de agentes da corporação no recinto onde se efectivou a consulta médica.

Assim, aquele responsável policial garante que “não houve, da parte da PN, qualquer intenção de constranger o paciente e os médicos”, e nega “categoricamente”, a acusação de que a polícia não permitiu criar as condições para que a consulta e os exames fossem realizados com toda a tranquilidade e confidencialidade.

“Fizemos tudo no estrito respeito e cumprimento do despacho do TRB, ou seja: supervisionar o serviço e garantir a segurança do extraditando”, assegurou Orlando Évora, adiantando que a presença da PN “não foi para dificultar nem, tampouco, para facilitar” o trabalho dos especialistas e a consulta do paciente .

Quanto à apreensão de uma ampola com sangue de Alex Saab, imputada aos agentes presentes na residência, o comandante regional da PN foi peremptório: não corresponde à verdade. A Polícia Nacional não mandou os médicos entregar o material recolhido para os exames médicos. Isso não aconteceu em nenhum momento”.

A outra acusação, relacionada com o aviso às autoridades aeronáuticas quanto ao transporte de “material perigoso” pelos médicos que examinaram Alex Saab, e que supostamente teria partido do gabinete do chefe da polícia, também foi desmentida, tendo o comandante Orlando Évora afirmado que “a PN faz o trabalho de segurança e ordem pública, a DEF desempenha funções de controlo de fronteiras e de estrangeiros e outras coisas relacionadas com a
segurança aeronáutica competem às autoridades desse sector”.

Assim, assegurou não saber sequer o que os dois médicos levaram para o aeroporto, e desmentiu que ele (Orlando Évora) ou a corporação tivessem tido “qualquer interferência no que possa ter acontecido com os médicos em relação o eventual transporte de materiais proibidos a bordo dos aviões”.

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