Movimento Sokols 2017: “O centralismo em Cabo Verde está a ficar cada vez mais aprofundado”

5/07/2021 14:41 - Modificado em 5/07/2021 15:21

Em dia de celebrações do 46º aniversário da Independência de Cabo Verde, 05 julho, o Movimento Sokols 2017, volta a afirmar que o país “está cada vez mais centralizado” e que isto tem prejudicado o desenvolvimento “individual de cada ilha”.

O porta-voz do movimento cívico Sokols, Salvador Mascarenhas, em conferência de imprensa em São Vicente volta a pedir “uma mudança de rumo na governação do país e mais autonomia para as ilhas periféricas”.

O ato que nos anos anteriores tem sido marcado por manifestações públicas, este ano, à semelhança de 2020, devido a pandemia da Covid-19, o Sokols optou por uma conferência de imprensa.

O movimento que reivindica maior descentralização entre as ilhas, diz que em Cabo Verde, apesar das conquistas inquestionáveis alcançadas em vários domínios, esse avanço está a ser feito de “forma mais desarmoniosa, desequilibrada e injusta”.

Para Salvador Mascarenhas, no país, em vez de se falar de democracia, “falamos da ditadura da maioria que faz com que todos os recursos sejam alocados ao centro (Praia), descriminando a periferia.

Com efeito, afirma que o centralismo está cada vez mais sólido e que cada dia, há maior concentração de meios económicos e massa crítica, causando, sublinha Mascarenhas, a “desertificação do resto do país” e por outro lado, “o crescimento desarmonioso e desequilibrado da central”, que tem como consequências nefastas numa capital sobrepovoada.

No caso específico de São Vicente, Salvador Mascarenhas, dando como exemplo deste centralismo, citou a questão dos transportes aéreos e marítimos que segundo o mesmo, a ilha experiencia uma inversão jamais imaginada. “Quando se transfere a centralidade marítima para a capital, apesar do discurso hipócrita dizer o contrário”, prova que sustenta Salvador Mascarenhas não se interessa pelo desenvolvimento das ilhas num todo.

Em relação aos transportes aéreos internacionais, desafia o governo, agora que a CV Airlines volta a ser nacionalizada, que cumpra a promessa de que São Vicente voltaria a ter voos internacionais, constituindo concorrência à TAP, que é a única a voar da ilha para Lisboa, “exigindo valores muito superiores” a qualquer outro destino no arquipélago. 

E a nível inter-ilhas diz que a ilha foi desconectada do arquipélago por via aérea, quando antes tínhamos ligações diretas para São Nicolau, Sal, Boavista e até para o Fogo, hoje para viajar para qualquer uma destas ilhas, critica Mascarenhas, “somos obrigados a passar primeiro pela capital antes de chegar a qualquer parte”.

Salvador Mascarenhas diz que para ter um país “mais harmonioso, equilibrado e justo”, o caminho só pode ser o da autonomia da ilhas e que para isso, propõe ao governo, em relação a São Vicente, que crie um Estatuto politico especial Político Administrativo, sempre respeitando a constituição e a unicidade de Cabo Verde, em que a CMSV se tornaria no governo regional, bem como a Assembleia no Parlamento regional, evitando a duplicação de despesas e da criação de conflitos de poder e de competência intrarregional.

Elvis Carvalho

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