Síria: Várias ONG formam cadeia humana para pedir retoma da ajuda

2/07/2021 21:05 - Modificado em 2/07/2021 21:05

Quase 3.000 trabalhadores humanitários que prestam assistência no noroeste da Síria formaram hoje uma cadeia humana na única passagem de fronteira pela qual entra a ajuda humanitária no país para pedir a retoma de apoio.

© Getty Images

Acadeia humana estendeu-se ao longo de três quilómetros, forma encontrada pelas organizações não-governamentais para pedir ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para aprovar a renovação da ajuda humanitária, decisão que só deve ser tomada dentro de dez dias.

“A iniciativa foi organizada para pedir a renovação da abertura da única passagem fronteiriça no noroeste da Síria, a partir a Turquia”, explicou à agência noticiosa espanhola EFE um dos organizadores do evento e fundador da organização não-governamental local Violet, Kutaiba Sayed.

Há um ano, o Conselho de Segurança da ONU renovou por 12 meses o mecanismo que permite a entrada de ajuda humanitária através de Bab al Hawa, passagem de fronteira entre a Turquia e o último reduto da oposição na Síria, na província de Idlib, sem passar pelas mãos do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad. 

Os vetos da Rússia e da China, aliadas de Damasco, forçaram então o fecho de uma segunda passagem de fronteira e limitaram o acesso das agências da ONU a apenas uma, que o Conselho de Segurança colocará novamente em votação dentro de dez dias para decidir se permanecerá aberta ou não. 

Os participantes na cadeia humana, representantes de 54 organizações não-governamentais presentes na região, empunhavam cartazes com palavras de ordem como “O Conselho de Segurança da ONU é um mero fantoche nas mãos de Al-Assad?” ou “A ajuda humanitária é um direito, não um privilégio”.

Sayed alertou que o fecho de Bab al Hawa significaria um “grande desastre em toda a área noroeste da Síria”, que está fora do controlo de Damasco e onde vivem cerca de 4,5 milhões de pessoas, incluindo dois milhões de deslocados, a maioria amontoada em tendas.

O ativista explicou que sete agências das Nações Unidas prestam ajuda indispensável na região com iniciativas como a distribuição de cabazes do Programa Alimentar Mundial (PAM) ou os serviços de abastecimento de água e acesso à educação pela UNICEF.

Sayed frisou estar particularmente preocupado com os possíveis efeitos do fim dos trabalhos da Organização Mundial da Saúde (OMS), encarregada de distribuir vacinas contra a covid-19, e que garante “grande apoio” aos hospitais e centros médicos da região.

“Não existem fontes de vida além da ajuda da ONU porque a área é economicamente pobre e as atividades agrícolas são muito limitadas. Interromper essas ajudas causará uma catástrofe para toda a humanidade”, concluiu o fundador da Violet.

Lusa

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