Cabo Verde Airlines suspende atividade por 14 dias após anúncio de renacionalização

27/06/2021 17:05 - Modificado em 27/06/2021 17:05

A administração da Cabo Verde Airlines (CVA) esclareceu este domingo que vai suspender vendas e voos por 14 dias, e não 30 dias como anunciou no sábado, face à intenção de renacionalização da companhia pelo Governo e pedido de arresto de um avião.

Fonte oficial da companhia cabo-verdiana esclareceu à Lusa que, contrariamente à informação anterior, a anunciada suspensão da atividade da CVA será até 12 de julho.

“É com surpresa e apreensão que a administração da CVA assiste, paralelamente, às ações do Estado de Cabo Verde, como acionista minoritário, ameaçando nacionalizar, à tentativa de apreensão de bens de terceiros, que não têm dívidas com a companhia aérea ou do Estado”, lê-se num comunicado assinado pelo diretor executivo da companhia, Erlendur Svavarsson, que a Lusa divulgou no sábado.

“Devo manifestar a minha deceção com a decisão do Governo de tentar prender a aeronave na ilha do Sal, o que impede a empresa de retomar as operações conforme planeado. Após 15 meses de preparação [período de suspensão de voos da CVA devido à pandemia de covid-19], investimento numa nova plataforma de reservas, formação de pessoal e divulgação de horários e destinos, a empresa está pronta para voar. Mas somos impedidos de fazê-lo, totalmente com base na intervenção do Governo”, criticou.

O Governo cabo-verdiano anunciou na sexta-feira a reversão de 51% das ações da CVA vendidas à islandesa Loftleidir em 2019, justificando que em causa está o “interesse público estratégico” e a “segurança nacional”.

Em março de 2019, o Estado de Cabo Verde vendeu 51% da então empresa pública TACV (Transportes Aéreos de Cabo Verde) por 1,3 milhões de euros à Lofleidir Cabo Verde, empresa detida em 70% pela LoftleidirIcelandic EHF (grupo Icelandair, que ficou com 36% da CVA) e em 30% por empresários islandeses com experiência no setor da aviação (que assumiram os restantes 15% da quota de 51% privatizada).

A CVA, em que o Estado cabo-verdiano mantém uma posição de 39%, concentrou então a atividade nos voos internacionais a partir do ‘hub’ do Sal, deixando os voos domésticos.

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