Comunidade Gay em São Vicente quer mudar a forma como o mercado de trabalho vê os gays

24/06/2021 21:45 - Modificado em 24/06/2021 21:45

Steffi Lima é uma das caras do movimento LGBTQIA+, em São Vicente que, enquadrado nas comemorações do Dia Internacional do Orgulho LGBT+, 28 de junho, promove uma conversa aberta, no dia 29, em torno da temática, abrangendo a evolução, as mudanças, dificuldades, discriminação no trabalho e o que mudou durante esta luta.

Natural de São Vicente e bem conhecido nos palcos musicais da ilha e do país, este jovem diz que um dos principais itens a ser abordado durante a conversa é, a questão da discriminação no trabalho, que muitos acabam sofrendo por conta da sua orientação sexual, principalmente os travestis. “No caso dos homens, criticam os maneirismos e a forma de vestir e falar”.

Diz que muitas pessoas quando se candidatam a um posto de trabalho, logo a partida sentem-se excluídos, já que muitas vezes, durante a entrevista nas empresas, acabam por perceber, quando são assumidos que são gays e não têm muitas chances ou nenhuma.

“Porque quando vão candidatar-se a um posto de trabalho que almejam, não o conseguem porque o facto de gostarem de se vestir de mulher é um impedimento”, aponta Steffi Lima que diz ainda que se alguém quiser trabalhar, não é aceite nestes locais. E quando assim é fica complicado a sua inserção no mercado de trabalho.

Segundo ele, a discriminação e o preconceito traduzem-se em dificuldades de acesso e permanência no emprego.

Steffi Lima defende ainda que as pessoas não deveriam ser contratadas por aquilo que vestem, ou pela sua orientação sexual, mas sim, se têm ou não competências para o cargo ao qual estão se candidatando. Logo, defende que é preciso uma mudança de atitudes e paradigmas neste sentido, para que os membros da comunidade LGBTQIA possam ter o emprego que queiram.

“Tem gay em todas as instituições do país, desde o governo, autarquias, instituições públicas ou privadas. Em todos os lugares, mas são oprimidos porque, muita “boa gente” da nossa sociedade não aceita e não respeita o que são”, desabafa este jovem que conta que ele mesmo, ao longo dos anos, tem sofrido descriminação por conta da sua orientação sexual.

Com a proximidade do Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, 28 junho, diz que embora a luta seja diária, a data é sempre uma grande momento para serem divulgadas as dificuldades que muitos enfrentam no acesso ao mercado de trabalho e no dia-a-dia no seio da sociedade.

No entanto, destaca um ponto positivo, o facto de nos últimos tempos, muitos têm tido a coragem de se assumirem publicamente, vivendo aquilo que são. “Embora com todas as dificuldades tiveram esta opção de se assumirem, sabendo que muitos não aceitam, não respeitam e que diariamente vão encarar varias situações desagradáveis.

Para isso diz que é preciso uma legislação que protege a comunidade de todas as formas de agressão e discriminação. “Nalguns países, vemos e acompanhamos que qualquer agressão contra uma pessoa LGBTQIA+ é punida” indica este jovem adiantando que, “não precisam gostar, apenas que respeitem”.

Tendo a música como a sua paixão, conta que por várias vezes já foi descriminado, enxovalhado, mas tem usado os comentários ao seu favor, para que continue a crescer como pessoa e também como profissional, já que quer usar a música como arma de inclusão. “Quero continuar a conquistar o meu espaço e assim lutar em prol da comunidade”.

Com este pensamento apoia-se no facto de que ser gay significa ter forças para se levantar da cama todos os dias e enfrentar o ódio e a ignorância no trabalho, na escola, em casa, nas ruas e numa citação diz que “significa se proteger, muitas vezes de forma silenciosa, aquilo que mais importa – a sua própria dignidade”.

No Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, 28 junho, são organizadas marchas e eventos coletivos para tornar visível a luta pela igualdade e dignidade de gays, lésbicas, bissexuais e transgéneros. Este dia comemora os distúrbios ocorridos em 1969 no Stonewall, um pub no bairro de Greenwich Village em Nova York.

Elvis Carvalho

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