TACV – PAICV diz que governo acreditou “num conto de fadas que levou o país a perder milhares de contos”

22/06/2021 14:08 - Modificado em 22/06/2021 14:08

O presidente interino do PAICV, Rui Semedo, em reação as declarações do governo relativo ao processo do reverter a privatização dos TACV, que demonstrando nenhuma surpresa neste desfecho “infeliz de um negócio que todos sabiam que já́ tinha falido, há́ muito tempo”.

Para Rui Semedo, “todos já́ sabiam, menos o primeiro-ministro que, cegamente, acreditou num conto de fadas que levou o país a perder milhares de contos para além da perda de tempo, de oportunidade e de investimentos rentáveis e credíveis”.

Semedo vinca ainda que “estamos perante um negócio, chamado de privatização, que não nos trouxe absolutamente nada. Não nos trouxe mercado, não nos trouxe capital e não nos trouxe experiência nenhuma”.

“É um negócio onde o parceiro estratégico ganha tudo e Cabo Verde perde tudo e em toda a linha, a começar por um aluguer (leasing) absurdo, em condições muito desfavoráveis se comparado com os preços praticados no mercado normal de transportes aéreos”.

O PAICV, relembra, “já́ tinha alertado sobre este negócio lesivo aos interesses do país e fê-lo de forma repetida e continuada porque sabia que tinha do seu lado a razão e a verdade” e que mesmo quando o Governo “simulou a vinda do avião nas vésperas das últimas eleições legislativas, o PAICV alertou a todos que estaríamos perante uma encenação com o fim exclusivamente eleitoralista e que o avião não iria voar para nenhum país.”

Com efeito, Rui Semedo diz que o seu partido lamenta este desfecho e que todo o país foi literalmente enganado. “Mas já não se pode fazer mais nada porque as eleições já foram feitas, os resultados já foram proclamados e o Governo já foi investido”, critica.

Portanto pede esclarecimentos ao Governo, alegando que é preciso dizer ao país qual é o prejuízo e o que significa para Cabo Verde a reversão tardia desta privatização, que nem deveria ter acontecido naqueles termos.

“Não nos dizem claramente quantos recursos foram investidos naquele negócio falhado e os prejuízos que Cabo Verde irá averbar”.

O que se sabe, avança Semedo, é que, só em avales e garantias o Estado de Cabo Verde já perdeu nos últimos tempos por volta de 20 milhões de euros, apesar de todos os avisos e de todas as advertências.

O que se sabe também, é que neste negócio falharam todos os objetivos e foram incumpridas todas as metas.

Falharam os objetivos de montagem do HUB do Sal, falharam os objetivos de aquisição dos 11 aviões até finais de 2017, falharam os objetivos da conquista dos mercados e falharam os objetivos de não injeção dos recursos do tesouro do Estado de Cabo Verde naquela empresa.

“E do nosso lado foi desmantelada uma transportadora aérea, foi entregue o mercado domestico em regime de monopólio, foi desestruturado um serviço de manutenção de qualidade, foram deslocalizados trabalhadores com custos reais, designadamente, com desestruturação de famílias e foi abandonado o chamado mercado da “sodade” que, no momento de desespero, voltou a ser a tábua de salvação” conclui Rui Semedo.

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