Eleições gerais na Etiópia decorreram em ambiente calmo

21/06/2021 17:16 - Modificado em 21/06/2021 17:16
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As sextas eleições gerais na Etiópia realizaram-se hoje num ambiente calmo, mas com algumas irregularidades logísticas, num dia que é o primeiro teste eleitoral para o primeiro-ministro, Abiy Ahmed, que procura a reeleição no cargo.

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Mais de 44.000 mesas de voto abriram às 06:00 locais (04:00 em Lisboa) com grande segurança, especialmente na capital, Adis Abeba, para votar numa eleição em que foram registados 37,4 milhões de eleitores, um número muito baixo para o segundo país mais populoso de África, com cerca de 110 milhões de habitantes.

A forte presença das forças armadas e da polícia de choque causou alguma preocupação entre os eleitores nas primeiras horas, mas não impediu que se formassem longas filas para votar.

“Estamos a realizar as eleições de uma forma muito pacífica e democrática e estamos a mostrar ao mundo a nossa cultura democrática”, disse o primeiro-ministro, vencedor do Prémio Nobel da Paz de 2019, depois de votar na sua cidade natal de Beshasha (oeste), na região de Oromia.

“O resultado será decidido pelo Conselho Nacional Eleitoral da Etiópia. Todos os partidos que participaram nesta eleição devem cumprir as regras e devem ser pacientes até que os resultados oficiais sejam anunciados pela entidade responsável”, acrescentou Abiy.

O líder do partido Ezema (Amharic for Ethiopian Citizens for Social Justice, uma das principais forças da oposição), Berhanu Nega, manifestou a esperança de que o voto reflita os sentimentos dos etíopes, depois de ter votado em Adis Abeba.

“Ao contrário das últimas cinco eleições, esta é a primeira verdadeira eleição. Não tivemos eleições reais e espero que esta eleição seja credível, um reflexo da vontade do povo”, disse Berhanu, que se queixou que observadores do seu partido foram expulsos de algumas mesas de voto, que estavam programadas para fechar às 18:00 locais (16:00 em Lisboa).

Nas mesas de voto em Adis Abeba e noutras zonas, a votação foi atrasada devido a inconsistências entre o número de eleitores registados e o número de boletins de voto disponíveis.

“Embora haja irregularidades em algumas mesas de voto, o processo na maioria das mesas de voto decorreu sem problemas e, em geral, a votação está a decorrer de forma muito pacífica e a afluência às urnas é elevada até agora”, explicou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Birtukan Mideksa.

Nas eleições, em que os parlamentares regionais também votam, os etíopes elegem os 547 membros da câmara baixa do parlamento federal, que por sua vez escolhem o primeiro-ministro (chefe do Governo e autoridade máxima do estado) para um mandato de cinco anos.

Pelo menos 46 partidos apresentaram candidatos alternativos ao Partido da Prosperidade (PP), o grande favorito face a uma oposição fragmentada composta por partidos mais pequenos que representam grupos étnicos num país com mais de 80 grupos étnicos.

No entanto, os dois principais partidos da oposição na região de Oromia, lar do oromo (o maior grupo étnico do país), protestaram contra a prisão dos seus líderes.

A votação também teve lugar sob a sombra do conflito na região do Tigray, contra o qual o Governo federal tem vindo a travar uma ofensiva armada desde o início de novembro, e a violência interétnica noutras partes da Etiópia.

Além disso, o Conselho Nacional Eleitoral anunciou o adiamento até setembro das eleições nas regiões de Harari e Somali (para além de dezenas de distritos noutras regiões), devido a irregularidades e problemas de segurança.

Também em Tigray, onde a guerra causou milhares de mortos e quase dois milhões de deslocados internos, sobre os quais paira a fome (de acordo com a Organização das Nações Unidas), a população não votou hoje e ainda não há data eleitoral para a região.

Estas três regiões representam pelo menos 63 lugares que permanecerão vazios por enquanto na Câmara Baixa do Parlamento Federal.

Os observadores da União Africana (UA) disseram hoje que o dia correu razoavelmente bem, apesar de erros técnicos e irregularidades em algumas mesas de voto.

“A impressão geral é que esta eleição, apesar de alguns soluços, é muito melhor do que a última em termos de abertura do espaço de participação eleitoral”, disse o ex-presidente nigeriano e chefe de missão da UA, Olusegun Obasanjo.

Lusa

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