Lilim d’Paula. Retrato de uma figura com história que fez da sua vida uma missão de promover a cultura cabo-verdiana na Holanda

16/06/2021 20:59 - Modificado em 16/06/2021 20:59

Manuel Rodrigues, mais conhecido como Lilim d’Paula, natural do Concelho do Porto Novo, Santo Antão, faleceu aos 80 anos, na Holanda, vítima de doença prolongada. Foi a enterrar esta terça-feira, na sua cidade natal, Porto Novo, como sempre desejou.

A família, conforme entrevista ao Notícias do Norte, diz que este cabo-verdiano fez muito durante a sua vida para promover a cultura cabo-verdiana na Holanda, mais precisamente em Roterdão. “Durante muitos anos foi presidente da Comissão do Carnaval de Cabo Verde, que se manteve ao pé do Carnaval de Verão”.

Emigrou para a Holanda, muito jovem, aos 21 anos de idades, onde viveu até o seu passamento, tendo-se destacado logo no período pós independência como emigrante de sucesso na área de shipschandler, tendo conseguido ajudar muitos compatriotas emigrantes a conseguir emprego na navegação marítima.

Davidson Rodrigues conta que o pai dedicou parte da sua vida à promoção da cultura cabo-verdiana e tornou-se uma figura conhecida na comunidade holandesa. E que neste momento de despedida, mostra-se orgulhoso daquilo que o progenitor conquistou.

“Conseguiu trazer a nossa cultura para aqui”, diz Davidson Rodrigues, recordando palavras do pai, que na altura que chegou na Holanda, os cabo-verdianos eram vistos como portugueses, por isso sentia a necessidade de organizar eventos que mostrassem a nossa cultura. “A nossa cabo-verdianidade”.

Na década de 70, conforme o filho, organizou vários eventos culturais em torno da cultura cabo-verdiana no país que o acolheu, para mostrar nossa cultura. Um destes eventos, conforme entrevista à imprensa holandesa, foi o concurso de vozes “Todo Mundo Canta”, que participou o cantor Jorge Neto e que acabou por vencer.

Ainda segundo a nossa fonte, nos 10 anos da independência de Cabo Verde trouxe ao país, o mítico grupo “Cabo Verde Show”, para uma apresentação, e também foi a primeira pessoa que levou Cesária Évora para Holanda, para um concerto o “Barco Chinês” (Ocean Paradise Rotterdam) no Euromast. “Era um grande fã dela”, recorda.

Falecido na Holanda, enterrado na sua terra natal no Porto Novo, Santo Antão, o seu filho, Davidson Rodrigues, fala sobre a missão do pai, que caracteriza como “uma vida em prol da comunidade cabo-verdiana na Holanda”.

E que nos últimos tempos, apesar da sua saúde debilitada, nunca parou de promover a sua cabo-verdianidade. “Um homem com uma ligação enorme com a sua terra” sublinha este filho emocionado de um pai “orgulhoso do seu país”, que sempre esteve atento ao seu desenvolvimento.

Histórias engraçadas são muitas, mas prefere dar enfoque ao contributo que deu em prol da comunidade cabo-verdiana naquele país europeu, como por exemplo, a missão de receber “irmãos” da terra que chegavam no país. “Basta chegar na Holanda e indicavam Lilim d´Paula como anfitrião dos recém-chegados. “Ajudava naquilo que podia, recebia-os como um irmão da terra”.

Pioneiro do carnaval que é festejado na Holanda, em 82 organizou o primeiro carnaval de pequena escala para jovens pela primeira vez. “Fez como aqui em Cabo Verde, que é celebrado fevereiro, manteve a tradição em Roterdão. Não foi um sucesso devido ao frio”, mas ele não desistiu e há dois anos atrás, após 32 anos de carnaval, em 2019 foi incluído no registo de cultura imaterial da Holanda. “Um feito que o deixou orgulhoso, porque apesar de ser organizado por outros ele fez parte”.

Um tamboreiro, nunca faltou a uma manifestação cultural, sempre com o seu tambor e apito, conforme o filho que relembra o homem que nunca deixou de expressar a sua cabo-verdianidade. “Os contributos são muitos, desde a área social cultural, desportiva, musical”, aponta Rodrigues que, mostra-se orgulhoso do papel que o pai teve na Holanda, e também surpreendido pelas descobertas. “Artistas nacionais de renome mundial tem manifestado o seu pesar pelo seu falecimento, personalidades, pessoas de várias áreas e quadrantes da nossa sociedade”.

Mas como diz, foi-se o homem, mas fica a sua história que promete manter viva. Este “chefe de família exemplar, militante convicto de seu partido político e empresário”, sustenta Davidson Rodrigues, dedicou parte da sua vida à promoção da cultura cabo-verdiana e tornou-se uma figura conhecida na comunidade holandesa.

Manuel Rodrigues disse à OPEN em 2016 que estava orgulhoso do que conquistou: “Eu estava tentando trazer a nossa cultura para fora”, disse ele na época. “Essa era a minha intenção. Para nossos filhos. E funcionou.”

Elvis Carvalho

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