Imprensa chinesa de língua inglesa desperta para a denúncia da injustiça e das ilegalidades do caso Alex Saab

15/06/2021 17:28 - Modificado em 15/06/2021 17:33
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Desta vez, trata-se do editorialista e professor universitário Alex Lo, que escreve para o South China Morning Post e vários outros jornais de Hong Kong e do Canadá, a manifestar a sua indignação num artigo intitulado: O mais flagrante abuso do poder do Estado de que já se ouviu falar

Uma aterragem forçada, o estacionamento de um barco de guerra em águas de Cabo Verde, o desprezo pelas convenções das Nações Unidas sobre os direitos humanos e por deliberações de uma instância jurisdicional africana [o Tribunal de Justiça da CEDEAO], não é de admirar, tendo em conta as forças envolvidas, que o caso de extradição, para os Estados Unidos, do Enviado Especial venezuelano, Alex Saab, não tenha chegado à imprensa mundial de língua inglesa.

Desde Junho de 2020, o Enviado Especial da Venezuela, Alex Saab, está a lutar contra a sua extradição para os Estados Unidos, detido e a braços com um cancro sem tratamento em Cabo Verde, pequeno país insular da costa ocidental africana. Para que a prisão se tivesse efetivado, o avião do diplomata venezuelano foi “forçado” a aterrar na ilha do Sal depois de vários países africanos vizinhos do arquipélago lhe terem, aparentemente pressionados pelos Estados Unidos, negado autorização de aterragem para reabastecimento.

Homem de confiança de Nicolás Maduro, o empresário de origem colombiana encontrava-se a caminho do Irão, alegadamente para trocar ouro venezuelano por petróleo iraniano, encontrando-se os dois países sob severas sanções unilaterais dos Estados Unidos.

Os americanos acusam Saab de branqueamento de dinheiro mas, na semana passada, o Comité de Direitos Humanos das Nações Unidas tomou a decisão de pedir às autoridades cabo-verdianas a suspensão do processo de extradição e a prestação de assistência médica adequada ao seu tratamento. Isso seguiu-se a outra decisão, esta de carácter judicial, tomada em Maio último, pelo Tribunal de Justiça da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, de libertar o diplomata.

A República de Cabo Verde não tem um tratado de extradição com os Estados Unidos. No entanto, respondeu favoravelmente a um Alerta Vermelho da INTERPOL para prender Alex Saab, mas o documento só foi emitido após a detenção. Os tribunais cabo-verdianos decidiram que o diplomata deve ser extraditado mas os advogados têm sistematicamente recorrido contra essas sentenças.

Entretanto, a marinha americana estacionou o cruzador USS San Jacinto em águas de Cabo Verde, onde se encontra desde Dezembro, aparentemente como uma resposta ostensiva contra qualquer tentativa da Venezuela de libertar Saab pela força. Mas ao que consta, essa ação de carácter militar dos Estados Unidos está a servir mais como uma forma de intimidação para se assegurarem de que Cabo Verde irá cumprir o prometido e extraditar o venezuelano.

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