PAICV diz que Governo “obeso e custoso” vai custar ao país mais de 400 milhões de escudos por ano

14/06/2021 21:16 - Modificado em 14/06/2021 21:16
Foto: INFORPRESS

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde, PAICV, acusou o primeiro-ministro de formar um Governo “obeso e custoso”, de 28 elementos, que irá custar “no mínimo” mais 400 milhões de escudos por ano.

Ao intervir durante a apreciação na Assembleia Nacional do Programa do Governo para a legislatura 2021-2026, o líder parlamentar do PAICV, João Baptista Pereira, recordou as dificuldades vividas pelos cabo-verdianos devido à crise económica provocada pela pandemia para justificar a crítica.

“É diante deste quadro difícil para os cabo-verdianos que se geraram expetativas elevadas em como, para a legislatura que ora se inicia, as respostas seriam mais ousadas, ao mesmo passo que muito responsáveis e até mais racionais. Entretanto, é neste contexto que vossa excelência, parecendo dar sinais contrários e circulando na contramão da crise que assola o mundo, presenteia o país com o Governo mais gordo da sua história, com um elenco de 28 elementos”, afirmou o líder parlamentar do PAICV, dirigindo-se ao primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.

O novo Governo de Cabo Verde, empossado em 20 de maio, passou de 20 para 28 membros, incluindo 18 ministros e nove secretários de Estado.

“Esta solução se configura mais grave ainda quando se sabe que num contexto económico e social totalmente diferente, em 2016, vossa excelência prometeu aos cabo-verdianos [na legislatura anterior] formar um Governo pequeno, com o máximo de entre a dez a 12 ministros, incluindo o chefe do Governo, traduzido numa poupança de mais de 200 mil contos por ano a serem aplicados no financiamento do Rendimento Social de Inclusão”, disse.

“Se seguir este raciocínio e se havia razão para que aquela pomposa declaração de intenção, rapidamente se conclui que vossa excelência estará hoje a retirar recursos de inclusão social para alimentar o alargamento do seu Governo”, acusou.

Assumindo serem “contas simples”, João Baptista Pereira afirmou que este novo Governo “vai custar aos cabo-verdianos, no mínimo, 400 mil contos 400 milhões de escudos, por ano”.

Na reação, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, acusou o PAICV de iniciar a nova legislatura novamente a lançar dúvidas sobre a atuação do Governo, recordando quem ganhou as eleições legislativas de abril.

“É criar sempre essa ideia, que os governos são entidades meio estranhas, que andam a roubar o povo para se alimentar a si próprios. Não é essa a intenção. Quem ganha, forma o Governo. Os senhores não ganharam, nós ganhámos e formamos Governo. Formamos Governo e prestamos as contas ao país relativamente a esse Governo. E a explicação é que estamos num contexto que de facto obriga a fazer opções de reforço da ação governativa”, afirmou Ulisses Correia e Silva.

Com Lusa

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