Biosfera 1 suspende atividades de conservação/pesquisa da biodiversidade na Reserva Integral do Ilhéu Raso devido a ameaças

4/06/2021 15:06 - Modificado em 4/06/2021 15:06
| Comentários fechados em Biosfera 1 suspende atividades de conservação/pesquisa da biodiversidade na Reserva Integral do Ilhéu Raso devido a ameaças

A Associação para a Defesa do Meio Ambiente em Cabo Verde (Biosfera), anunciou hoje que a partir de 15 de junho, suspenderá todas as suas atividades de conservação/pesquisa da biodiversidade na Reserva Integral do Ilhéu Raso, devido a ameaças que vem sendo alvo ao longo dos anos.

Através de um comunicado de imprensa, esta associação aponta que embora sintam-se “tristes e desmotivados”, após 16 anos de trabalho ininterrupto para assegurar a conservação da fauna do ilhéu Raso e evitar a captura/abate ilegal de aves marinhas e de outras espécies, não tem outra escolha, “correndo o risco de pôr em perigo a vida das nossas equipas”.

A mesma fonte assegura que em Cabo Verde foram identificadas 46 áreas protegidas, sendo que vinte e duas delas são áreas marinhas protegidas, incluindo todos os ilhéus, entre as quais o ilhéu Raso, reconhecidos como Reservas Integrais.

“O ilhéu Raso é especificamente considerado como um dos pontos mais importantes do país em termos de biodiversidade, riqueza e abundância de vida selvagem, e por isso começou a ter um estatuto de conservação” revela.

No entanto, afirma esta associação que ao longo dos anos, nenhum governo conseguiu aprovar formalmente e oficialmente um plano de gestão desta reserva e os recursos naturais continuaram a ser impiedosamente delapidados por caçadores furtivos sem qualquer intervenção para impedir a pilhagem.

“Apesar de todos os esforços feitos, notamos a ganância excessiva de grupos de jovens que encorajam a depredação insustentável e ilegal (de acordo com o código de pesca) dos recursos marinhos na área Raso, colocando em risco o equilíbrio extremamente vulnerável do ecossistema (as aves marinhas dependem da vida marinha para sua subsistência) ” sustenta.

Estes grupos de jovens, são segundo a mesma, oriundos de diferentes ilhas (Santo Antão, São Nicolau e São Vicente) e que são “particularmente agressivos, ameaçadores e não respeitam os recursos como fazem os pescadores, ansiosos por continuar a sua atividade no futuro”.

Nisto, a Biosfera diz ter vindo a “alertar repetidamente as autoridades para estas infrações e entregou no passado recente uma abaixo-assinado da parte dos pescadores artesanais que operam na zona, rogando as autoridades para porem cobro a situação”.

No entanto, alerta que o Ministério do Ambiente, recusou-se a autorizar a deslocação destes pescadores para Santa Luzia, o que agravou a situação da equipa da Biosfera 1.

“O Ministério da Economia Marítima (agora Ministério do Mar) solicitou em 2019 que a Biosfera, presente quase semanalmente na região, que produzisse reportagens fotográficas sobre as atividades de pesca ilegal ocorridas no Ilhéu e, apesar da apresentação de dezenas de imagens às autoridades, os predadores continuam sem se deixarem desencorajar, todos os dias, a trazer infortúnios e a enfraquecer a biodiversidade do Raso”.

Porém, nos últimos dois anos, estes mesmos grupos de jovens caçadores furtivos, “animados por uma crescente animosidade em relação à Biosfera”, devido ao papel de foto-fiscalizadores das autoridades, “têm vindo a fazer ameaças que têm vindo a aumentar de tom, sem que as autoridades façam nada para proteger uma organização da sociedade civil, reconhecida como sendo de utilidade pública e tendo obtido numerosos reconhecimentos nacionais e internacionais”.

“Por este motivo, vimos por este meio informar da nossa difícil decisão, de abandonar à sua sorte, a indefesa e frágil vida selvagem desta reserva integral, pois tememos pela vida de nossos colaboradores, desta feita, completamente desamparados pelas nossas autoridades” conclui.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2021: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.