Três dezenas de líderes apelam a um ‘New Deal’ para África

2/06/2021 21:39 - Modificado em 2/06/2021 21:39

Três dezenas de líderes exigem que um verdadeiro ‘New Deal’ seja lançado para permitir a África ultrapassar a crise da covid-19 e evitar ser deixada para trás por outros continentes, num artigo de opinião publicado hoje pelo Le Monde.

© Minasse Wondimu Hailu/Anadolu Agency via Getty Images

O apelo foi lançado pelos presidentes francês, Emmanuel Macron, senegalês, Macky Sall, ruandês, Paul Kagame, e sul-africano, Cyril Ramaphosa.

O texto é coassinado por 27 outros líderes europeus e africanos, tais como os da Costa do Marfim, Tunísia e Egito, assim como pelos príncipes da coroa saudita e dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed Ben Salman e Mohammed Ben Zayed.

“Se o choque sanitário está a ser até agora mais bem controlado [em África] do que noutros lugares, poderá contudo ser mais duradouro, profundo e desestabilizador para todo o planeta”, advertem os cossignatários.

“Embora o Fundo Monetário Internacional [FMI] estime que os países africanos precisarão de 285 mil milhões de dólares [234 mil milhões de euros] em financiamento adicional até 2025, não existe nenhum pacote de estímulo ou mecanismo de criação monetária constituído para mobilizar tais recursos”, disseram.

Por consequência, “África não está a combater a pandemia em condições de igualdade”.

Não obstante os esforços para a vacinação, nomeadamente com o programa Covax, é necessário “investimento maciço” na “saúde, educação e na luta contra as alterações climáticas” em África, segundo o conjunto de líderes.

O texto apela à “salvaguarda destas despesas sem que sejam colocadas em causa as despesas de segurança e financiamento de infraestruturas, e sem que o continente caia num novo ciclo de sobre-endividamento”.

O objetivo, ao mobilizar a comunidade internacional, é “ir mais longe” do que a cimeira sobre o financiamento das economias africanas, realizada em 18 de maio em Paris, que prometeu iniciar discussões sobre os “direitos de saque especiais” do FMI.

O objetivo é atingir “100 mil milhões de dólares em benefício do continente africano e de outros países vulneráveis”, de acordo com os signatários da declaração, que pretendem trazer o debate para a cimeira do G7, no Reino Unido, com data de começo marcada para 11 de junho.

Lusa

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