Violência obriga Parlamento da União Africana a adiar eleições

1/06/2021 21:43 - Modificado em 1/06/2021 21:43

O parlamento Pan-Africano (PAP, na sigla em inglês), na África do Sul, adiou para outubro o processo de eleição do novo presidente após dois dias de tumultos e violência entre parlamentares, foi hoje anunciado.

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A polícia sul-africana foi destacada a intervir para garantir a segurança dos deputados na sessão em Midrand, arredores de Joanesburgo, na sequência de desacatos sobre o processo de eleição do novo presidente para o órgão legislativo da União Africana (UA), sediado na África do Sul.

Na reunião de hoje, os deputados da África Ocidental e da África Austral apelaram à intervenção da União Africana no sentido de mediar o processo com “responsabilidade”.

Em causa está o sistema rotativo da presidência do órgão legislativo, à qual se opõem alegadamente um conjunto de deputados da África Ocidental, nomeadamente de países francófonos, que a deputada sul-africana Pemmy Majodina, acusou de “arrogância”.

“Para nós, não há eleições sem rotatividade”, referiu Majodina, em declarações a um canal de televisão sul-africano, salientando que “há duas regiões – a do Sul e a do Norte – que nunca presidiram ao PAP, a arrogância dos francófonos existe devido à sua base eleitoral e querem intimidar-nos”, declarou.

“Não podemos ser mais intimidados, é agora ou nunca, se não concordarem com a rotatividade, não vai haver aqui eleições, estamos aqui para reafirmar a resolução da União Africana sobre a rotatividade do processo eleitoral, a África Austral nunca liderou o parlamento, há anos que somos intimidados, isto tem de acabar”, frisou a parlamentar sul-africana antes do final da sessão.

A Liga da Mulher do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), o partido no poder na África do Sul, realizou hoje à entrada do parlamento Pan-Africano uma manifestação de solidariedade para com Pemmy Majodina, que é deputada do ANC, que foi alegadamente agredida pelo deputado Dijibril War, do Senegal, durante a reunião de segunda-feira.

“A violência do género não é somente um problema sul-africano, mas também é uma questão continental”, afirmou Majodina, que aceitou depois um pedido de desculpas do deputado senegalês.

Na quinta-feira, o político sul-africano Julius Malema, líder do partido de oposição EFF (Economic Freedom Fighters, na designação em inglês), de extrema-esquerda na África do Sul, ameaçou com violência o eleito maliano Ali Kone durante os trabalhos.

“Eu mato-o lá fora. Eu mato-te”, disse Malema, enquanto apontava para o parlamentar da África Ocidental.

Malema indicou hoje que “o ambiente não era propício para a realização de eleições”.

Alguns deputados da região francófona acusaram os seus homólogos da África do Sul de pretenderem eleger o Zimbabué para a presidência do órgão legislativo Pan-Africano, que foi criado em 2004.

Lusa

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