Vídeos de militares sofrendo abusos trazem à memória o “Caso Monte Tchota”

18/05/2021 21:14 - Modificado em 18/05/2021 21:14
Foto: INFORPRESS

Os vídeos com abusos de teor sexual envolvendo militares que viralizam nas redes sociais esta terça-feira e que têm causado ondas de indignação nas redes sociais e sociedade civil, tem levantado várias questões sobre os alegados abusos que os militares sofrem nas mãos dos superiores nas Forças Armadas de Cabo Verde. E que trás á memória o soldado Antany, António Silva Ribeiro, que matou 11 pessoas no destacamento militar em Monte Txota, alegadamente devido aos abusos sofridos na instituição castrense.

Segundo fonte os vídeos terão sido feitos no Quartel Jaime Mota, na Praia.

Nos vídeos, os militares são colocados contra a parede e obrigados a simular actos sexuais e agressão com um cabo de uma vassoura a ser introduzido no ânus, causando desespero ao militar.

Nas reações, vários internautas, trazem a tona o caso do militar que assassinou 11 pessoas em 2016, questionando a possibilidade, dos abusos sofridos causarem danos psicológicos. De relembrar que a tragedia do Monte Txota, fez com as FA a se equiparem em termos de técnicos de psicologia no acompanhamento do recrutamento.

Para um internauta, “Se não acabar esses tipos de abusos nas Forças Armadas não tenho dúvida que algum dia vai surgir um novo Antani”, refere relembrando o caso do soldado conhecido pelo autor da Chacina de Monte Txota.

Para ele os responsáveis por estes actos devem ser punidos severamente para não repetir a barbaridade que aconteceu há alguns anos atrás, onde vários familiares choraram perdas de familiares queridos. “Tem de haver responsáveis para serem exemplarmente punidos pela tamanha desumanidade”, condena.

Outros seguem na mesma linha, alegando que se não tomarem medidas, pode haver outro massacre em Cabo Verde e que esta é a hora de entrar em pauta a tal discussão do confesso autor “Antany” do massacre em Monte Txota, pelo qual ele alegava ter sido vítima do sistema.

Um militar que prestou serviço neste quartel, e optou pelo anonimato, afirma que nunca assistiu a nenhum ato deste tipo, quando foi recruta, há 20 anos, embora reconheça que se isso for verdade, apesar dos vídeos mostrarem com clareza “é, de repudiar tais atos e que haja uma investigação do fundo para apurar os responsáveis e punir” sublinha este militar na reserva que diz ainda que nestas condições, “eu não enviarei meu filho para tropa”.

Outro militar, por seu turno, alega que desde sempre existiu relatos de maus tratos, tratamento abusivo, atos cruéis, humilhações e violência sexual nas Forças Armadas do país. “Quando lá estive eu vi a forma como humilham os soldados, como vingam em recrutas algo que tenha sucedido com algum familiar dele anterior, como batem tão facilmente sem motivos. São tantos abusos que presenciei acontecer com colegas, que se viessem a público muitos dos superiores iriam presos.

“É lamentável o que se vive dentro das Forças Armadas, há que haver um controlo para com essa gente. Muitos crimes podem acontecer derivados a acontecimentos que lá dentro sucedem” conclui.

O caso Monte Tchota

As mortes aconteceram no dia 25 de abril de 2016 e os corpos só foram descobertos no dia seguinte. O militar foi detido pela polícia no dia 27, na cidade da Praia.

As mortes de 11 vítimas foram causadas pelos disparos de armas AKM e Macarov, que o autor dos crimes tinha em seu poder.

No tribunal deu-se como provado que depois de um desentendimento com o comandante do posto militar de Monte Txota e de ter sido alvo de chacota dos colegas, Manuel António Ribeiro entrou, na madrugada de 25 de abril, nos três quartos onde dormiam os colegas, disparando sobre eles com a intenção de matar. 

O tribunal apresentou o suspeito dos crimes como “um psicopata”, com um “comportamento dúbio”, considerando que tinha consciência das consequências das suas ações. 

O autor confesso dos crimes foi condenado pelo coletivo de juízes do Tribunal Militar, em cúmulo jurídico, a 35 anos de cadeia, a pena máxima prevista no Código Penal em Cabo Verde.

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