MCCR quer mais “humanidade” e “responsabilidade” na gestão ética da população canina e felina

6/05/2021 14:55 - Modificado em 6/05/2021 14:56
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O Movimento Civil para as Comunidades Responsáveis (MCCR) lança um apelo nacional ao Governo e a todas as Câmaras Municipais do país, para o exercício da “gestão ética da população canina e felina”.

Em comunicado, o movimento diz que após uma longa caminhada e luta permanente “contra o abandono, envenenamento, enforcamento, morte a pauladas, eletrocussão e torturas diversas por parte dos poderes locais, em 2019” foi lançado o desafio a todas as Câmaras Municipais para aderirem à Aliança Nacional da Gestão Ética da População Canina e Felina e adotarem políticas eficazes que resolvem duma vez por todas o problema de cães em espaços públicos, e os ataques contra o gado, explica Maria Fortes em comunicado.

Esta responsável diz que que após a formalização de um projeto integrado específico de gestão ética da população canina e felina de cada município, onde o Município do Sal que foi um dos primeiros a aderir e já vinha trabalhando para a gestão ética, conseguiu-se “dar finalmente o salto para programar a mega-campanha de esterilização, identificação e registo com parceiros internacionais para este ano”, foram surpreendidos com a notícia vinda de Porto Novo, Santo Antão, que pretende a matança massiva de cães com envenenamento e caça.

Segundo a notícia uma ação semelhante foi implementada no ano passado a pedido dos criadores de gado e resultou por um ano.

Uma ação que, conforme Maria Fortes  vai colocar em causa a “mega-campanha que será a primeira no país” e que conta com a parceria da Ordem de Médicos Veterinários de Cabo Verde e que pretende mobilizar pelo menos 40 profissionais dos quais uns 20 internacionais, todo o medicamento e materiais que acaba por ser um investimento considerável.

“A megacampanha irá incluir também formação em técnicas cirúrgicas, atividades pré e pós-operatórias e captura de cães”.

Com efeito, diz Maria Fortes acredita que com a população canina estabilizada, identificada, registada, as adoções promovidas, a população sensibilizada. “Todos felizes, os bichinhos, a população, os criadores de gado, os conservacionistas de tartarugas e pássaros e mesmo a Câmara Municipal”, sustenta.

Portanto, acusa a Câmara Municipal de Porto Novo em parceria com o Ministério de Ambiente e Agricultura que além do “dano enorme, que não é meramente a perda de recursos, mas atinge profundamente a imagem de Cabo Verde”, convém referir que seja o envenenamento ou a caça constituem crime pelo novo código penal de Cabo Verde que entrou em vigor no dia 6 de maio.

Neste sentido apelam ao Governo e a todas as Câmaras Municipais que analisem com ponderação, tecnicidade e com humanidade a situação dos cães que vivem em espaços públicos.

Adiante, citando estudos, afirma que a existência de cães e gatos em espaços públicos “é a consequência da ignorância, negligência e posse irresponsável pelos donos o que terá de ser atacado sistematicamente” e que nenhum método de retirar os cães ou gatos das ruas através da sua colocação em canis ou a matança massiva não resolve o problema, porque o problema reside na população humana.

Com efeito, aponta como solução responsável, a esterilização massiva e contínua, a promoção das adoções individuais ou comunitárias, os devidos cuidados de bem-estar e saúde, o relacionamento afetivo entre humanos, cães e gatos, a identificação e registo de todos os animais, a posse ou adoção comunitária, as normas municipais adequadas e o desenvolvimento dos instrumentos e capacidades de gestão em cada município.

Logo, Maria Fortes sustenta que se forem adotados os princípios e métodos referenciados, a médio – longo prazo Cabo Verde não terá cães e gatos abandonados, acabarão os ataques contra o gado e ovos de tartarugas e pássaros e vamos poder dizer que concluímos mais uma etapa do desenvolvimento sustentável, do desenvolvimento e uma sociedade solidária, humanista que sabe dar respostas profissionais e éticas aos seus problemas.

Por outro lado, se não adotarem o método de gestão ética da população canina e felina, teremos eternamente animais abandonados, maltratados e doentes nos espaços públicos que continuarão todos os dias a sofrer os maus tratos de apedrejamentos, pauladas, pontapés, crueldades diversas e acabarão por pagar injustamente com suas vidas a ignorância, irresponsabilidade e negligência humanas.

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