Vice-PM considera boa notícia conversão de parte da dívida de Cabo Verde em investimentos de Portugal

3/05/2021 21:30 - Modificado em 3/05/2021 21:30

O vice-primeiro-ministro de Cabo Verde acredita que a abertura de Portugal para negociar a dívida do país, com conversão de parte em investimentos, é uma “boa notícia”.

Olavo Correia, que é também ministro das Finanças em exercício, em reação à disponibilidade manifestada por Portugal em reconverter a dívida pública, o governante acredita que esta “é uma opção inteligente e com benefícios para todos os lados”, afirmou.

O governante recordou que Cabo Verde está no grupo dos países africanos e dos pequenos países insulares que trabalha “numa estratégia diplomática económico-financeira para colocar na agenda, o tema do perdão da dívida pública externa – ou mesmo da sua reconversão em investimento estratégico de longo prazo”.

Acrescentou que Cabo Verde enfrenta um triplo desafio, atualmente, o qual passa por “controlar a pandemia, recuperar a situação económica e social e garantir que a recuperação económica seja efetiva”.

“Cabo Verde precisa de espaço orçamental para continuar a investir, não só nas áreas da inclusão social, que têm a ver com investimentos imediatos, como também setores que são também fundamentais, num curto prazo, como a saúde, o saneamento, o digital, a qualificação os recursos humanos, a água e a resiliência”, afirmou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa de Cabo Verde, que terminou sábado uma primeira visita oficial a Lisboa, disse que ouviu de Portugal abertura para negociar a dívida do país, com conversão de uma parte em investimentos.

“Lançamos as bases para olharmos para a dívida no seu todo e sobre as condições da nossa dívida. Não só quanto a um perdão da dívida, que está na ordem do dia junto de organizações internacionais e nas relações entre os países, mas também na conversão da dívida em investimentos importantes, para enfrentarmos este período no pós-covid”, afirmou no domingo, em entrevista à Lusa, em Lisboa, o chefe da diplomacia cabo-verdiana.

Assim, ficou decidido que os ministérios das Finanças de Portugal e de Cabo Verde vão agora estudar e apresentar, “brevemente”, uma proposta para reconversão de parte da dívida do país africano ao Estado e à banca portugueses, em investimentos com a participação de empresas portuguesas.

Cabo Verde já vinha a defender uma “reconversão” da dívida de 600 milhões de euros a Portugal em “investimentos estratégicos” no arquipélago, em “condições” que fossem “do interesse” de ambos os países.

“Da parte do Governo português recebemos a maior abertura para que os nossos ministérios das Finanças analisem a dívida cabo-verdiana e façam propostas sobre como uma boa parte dessa dívida seja convertida em investimentos de fundo, que interessam, e também com a participação de empresas portuguesas, e de serviços portugueses”, adiantou.

Para o chefe da diplomacia de Cabo Verde, a possibilidade de participação de empresas portuguesas nos investimentos de fundo no seu país será “importante também para o relançamento da economia no próprio país credor, que é Portugal”.

Entre os investimentos que podem ser concretizados neste plano, Rui Figueiredo Soares apontou como exemplo alguns na área da saúde, como um novo hospital na capital cabo-verdiana, a cidade da Praia, bem como outros nos setores da economia azul e economia digital.

C/Lusa

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