O último adeus de São Vicente a Onésimo Silveira

30/04/2021 20:18 - Modificado em 30/04/2021 20:18
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Centenas de pessoas assistiram ao derradeiro adeus ao primeiro presidente da Câmara Municipal de São Vicente, poeta, escritor, combatente da Liberdade da Pátria, Onésimo Silveira.

Aconteceu na tarde desta sexta-feira, 30 de Abril, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Vicente, a homenagem fúnebre a Onésimo Silveiro, popularmente conhecido por “Cuxim”, face ao passamento físico ocorrido nesta quinta-feira, em Mindelo, vítima de doença prolongada.

Centenas de pessoas marcaram presença frente ao edifício da Câmara Municipal para o último adeus ao homem, ao político, poeta e intelectual cabo-verdiano Onésimo Silveira, que faleceu aos 86 anos de idade.

Passando pelas ruas da cidade, com uma curta paragem na Universidade do Mindelo, Onésimo Silveira, recebeu de Albertino Graça, reitor da Universidade, uma pequena homenagem à frente da instituição de ensino, com um auditório que leva o seu nome.

Entretanto, antes disso, uma cerimónia no Salão Nobre da Câmara Municipal, que contou com a presença de entidades ligadas à política, comunicação, desporto, arte, onde Onésimo Silveira foi relembrado, por Augusto Neves, autarca da ilha, em poucas palavras, como um dos homens mais “interventivos” da sua geração em defesa da sua ilha e do seu país.

Para Augusto Neves, visivelmente emocionado na hora do adeus, “homenagear o ilustre Onésimo Silveira é dizer que não existem adjetivos ou palavras no dicionário para prestar uma justa homenagem ao homem que detinha o dom da palavra. Ao homem que escrevia para emocionar e falava ao coração do seu semelhante”.

Augusto Neves, também amigo pessoal de Onésimo Silveira, lamentou a perda de uma figura ímpar de Cabo Verde e do mundo. “Um homem que ao longo da sua vida dedicou a sua vida pública em prol do povo das ilhas, sempre com abnegação e com espírito de missão”.

Na hora da dor e despedida, a presidente da Assembleia Municipal, destaca a perda desta figura que, no seu entender, perdeu-se “um dos maiores homens desta terra. Um homem culto e inteligente que teve atuação certa e momentos certos. Deixa um exemplo e legado que cabe a todos seguir.”

Dora Pires sublinha ainda não podemos esquecer o contributo que Onésimo Silveira deixa em todas as áreas em que atuou. “Um momento que marcou a todos, de uma forma ou de outra, direta ou indireta” e que viveu o seu tempo.

Em representação do Governo, o ministro Paulo Veiga honrou a vida e obra de um grande homem, de um distinto cidadão das ilhas e um cabo-verdiano digno de todas as deferências e honras.

“Um dos grandes intelectuais cabo-verdianos, conhecido também pela sua veia interventiva e de protestos sobre a condição humana e a do ser arquipelágico. Cabo Verde despede-se de um distinto homem de letras, poeta escritor e ensaísta. E, acima de tudo, um grande democrata” frisou o ministro da Economia Marítima.

Refere Paulo Veiga que Silveira “era sem dúvida o último de uma geração que foi estrutural para a configuração dos limites de que hoje podemos chamar da cabo-verdianidade poética idiossincrática, mas também cidadã e democrático.

Para este governante, o legado maior é o exemplo de participação cidadã, como homem da cultura, que fez dela arma de intervenção sociopolítica, de empoderamento de gerações e instrumento de afirmação da identidade da ilha de São Vicente, como exemplo de terra mãe a partir de onde projetou o ser cabo-verdiano.

Onésimo Silveira é natural da ilha de São Vicente, onde nasceu em 1935 e faleceu esta quinta-feira, 29 abril de 2021, na sua cidade, Mindelo.

Elvis Carvalho

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