Jornalistas espanhóis desaparecidos no Burkina Faso foram assassinados

27/04/2021 13:53 - Modificado em 27/04/2021 13:53
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Os dois jornalistas espanhóis dados como desaparecidos após um ataque no Burkina Faso na segunda-feira foram assassinados, anunciou hoje a ministra dos Negócios Estrangeiros espanhola.

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Arancha Gonzalez Laya explicou, em conferência de imprensa, após o Conselho de Ministros, que embora a informação ainda seja “confusa”, tudo indica que dois dos corpos encontrados no local do ataque correspondem aos dos dois jornalistas espanhóis que, juntamente com um repórter irlandês, estavam a fazer um documentário sobre a caça furtiva ilegal na região.

O incidente ocorreu na área de Pama, onde homens armados lançaram uma emboscada contra uma patrulha de forças do Burkina Faso anti caça ilegal, de cerca de 40 homens, que os dois jornalistas espanhóis e um irlandês acompanhavam.

Laya indicou que esta é uma área perigosa, onde grupos terroristas, caçadores furtivos e bandidos, bem como redes ‘jihadistas’, estão ativos.

Dois jornalistas espanhóis e um irlandês foram raptados, na segunda-feira, na sequência daquele ataque no Burkina Faso, disseram hoje de manhã fontes do exército daquele país africano.

O incidente ocorreu na área de Pama, onde homens armados lançaram uma emboscada a uma patrulha contra a caça ilegal no Burkina Faso que era acompanhada por jornalistas.

“Três jornalistas, incluindo dois espanhóis e um irlandês, foram raptados. Os raptores conseguiram levar equipamento militar. Estão em curso operações de busca”, afirmou uma fonte militar, que solicitou o anonimato, em declarações à agência de notícias espanhola Efe.

O Governo espanhol tinha confirmado hoje de manhã o desaparecimento de dois dos seus cidadãos após o.

De acordo com fontes locais e de segurança, um cidadão do Burkina Faso também desapareceu na sequência daquele ataque, que deixou ainda três pessoas feridas.

Os dois espanhóis e o irlandês dados como desaparecidos são “jornalistas e formadores que trabalham para uma ONG que opera na área da proteção do ambiente”, de acordo com uma fonte de segurança no Burkina Faso.

O ataque foi levado a cabo por homens armados em dois veículos ‘pick-up’ e cerca de uma dezena de motociclos, segundo fontes de segurança, que disseram que armas e equipamento, motociclos, as duas carrinhas e um drone tinham sido levados pelos atacantes.

Vários sequestros de estrangeiros têm ocorrido nos últimos anos no Burkina Faso, que tem enfrentado ataques ‘jihadistas’ cada vez mais frequentes, desde 2015.

Um casal australiano foi raptado em Djibo, na fronteira com o Mali e o Níger, na noite de 15 para 16 de janeiro de 2016, numa ação aparentemente coordenada com ataques em Ouagadougou.

A mulher, Jocelyn Elliot, foi entregue pelos seus raptores às autoridades nigerianas cerca de um mês após o seu rapto. O homem ainda está desaparecido.

Nessa noite, os ‘jihadistas’ abriram fogo em cafés, restaurantes e hotéis na Avenida Kwame Nkrumah, um importante centro de vida noturna em Ouagadougou, matando 30 pessoas e ferindo 71.

Em dezembro de 2018, um casal italo-canadiano tinha desaparecido na estrada entre Bobo-Dioulasso e Ouagadougou. Foi libertado no vizinho Mali, após mais de um ano em cativeiro.

Alguns meses antes, em setembro de 2018, um indiano e um sul-africano foram raptados junto a uma mina de ouro, em Inata, no noroeste do Burkina, e mais tarde libertados.

Inicialmente concentradas no norte do país, junto à fronteira com o Mali, as ações atribuídas aos grupos’ jihadistas’, incluindo aos Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos, filiado na Al-Qaida, e o Estado islâmico no Grande Saara, visaram depois a capital e outras regiões, incluindo o leste e o noroeste.

Desde 2015, as ações violentas dos ‘jihadistas’ provocaram mais de 1.200 mortos e mais de um milhão de deslocados, fugindo de zonas de violência.

Lusa

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