Tribunal de São Vicente começou a julgar suspeito do assalto à agência da Caixa Económica em Fonte Cónego

26/04/2021 15:10 - Modificado em 26/04/2021 15:10

O julgamento de Aristides Gaspar está a cargo de um tribunal coletivo, composto por três juízes. Preso desde do ano passado, “Tito” Gaspar alega desde do início, inocência.

O arguido é acusado de, no passado dia 27 de Maio, fazendo uso de uma arma de fogo, ter invadido a agência da Caixa, na localidade de Fonte Cónego, em São Vicente e de lá ter subtraído valores no montante de 1.077.000$00 (um milhão e setenta e sete mil escudos) e uma nota de 50 GBP (Libra)”, conforme consta do despacho de acusação.

Em prisão preventiva na Cadeia de Ribeirinha, desde de 03 Junho do ano passado, o primeiro Juízo Crime do Tribunal da Comarca de São Vicente começou a julgar, esta segunda-feira, Aristides Gaspar, que é acusado de assalto a mão armada, homicídio na forma tentada, posse de armas. Aristides Gaspar, conforme a acusação do Ministério Público, planeou de forma minuciosa o assalto à instituição bancária.

A acusação diz que Aristides Gaspar, “atuou em co-autoria com outro arguido, de modo organizado”, sustentando que nos dias que antecederam o assalto, fez todo um trabalho de terreno, desde deslocações periódicas à agência para se inteirar do seu funcionamento e rotina, assim como um controlo da movimentação no local. “Dirigiu-se várias vezes ao local, tendo as câmaras registadas o arguido, sentado no local a tomar anotações num bloco”.

No entanto, o arguido justifica estas movimentações, alegando que nestes momentos estava a tomar anotações, mas de códigos de “transferências via Western Union que teve necessidade de fazer” e as notas, que tomou, “são o números e nomes das pessoas para quem fez as transferências”.

“Após o Estado de emergência, conduzi algumas campanhas de solidariedade, pedindo ajudas para ajudar algumas famílias. E publicava as minhas ações nas redes sociais. Pessoas viram e quiseram ajudar”, justificou Gaspar que diz que as anotações eram os códigos de transferência enviados para entregar ao caixa.

Informações confirmadas por uma das testemunhas, funcionária do estabelecimento, diz que o arguido teria ido ao local algumas vezes levantar os montantes em dinheiro. 

Apesar de ser reincidente, tem várias passagens pela justiça por crimes de burla e outros crimes, o arguido defende que após sair da prisão, em 2014, nunca mais cometeu nenhum delito e que estava pronto para se reinserir na sociedade e que só soube do assalto no final do dia.

No entanto, após serem ouvidas várias testemunhas, nenhum delas conseguiu identificar “sem sombra de dúvidas”, que Aristides Gaspar é o assaltante. As testemunhas ouvidas pelo tribunal apontam o assaltante como sendo um indivíduo de forte compleição física, de pele escura, estava vestido cor-de-laranja, tinha uma mochila às costas e usava máscara.

O suspeito chegou a fazer dois disparos antes de roubar o dinheiro do banco, sem, entretanto, ter atingido nenhum dos presentes. O segundo tiro, conforme testemunho do segurança da agência bancária, foi disparado na sua direção, quando fechou a porta na tentativa de impedir o assaltante de sair. “O indivíduo tentou aproximou-se do balcão como, mas como o banco no momento já tinha um número limite de pessoas dentro, fui até a porta para o impedir de entrar, mas sacou de uma arma de fogo e anunciou que se tratava de um assalto, para surpresa de todos. Disparou para o teto na primeira vez e na segunda, depois de recolher o dinheiro na minha direção”, contou este funcionário, que depois do sucedido acabou por pedir transferência para outro local, devido a traumas relacionados.

O julgamento foi interrompido no início da tarde, sendo retomado ainda hoje, para se assistir aos vídeos do assalto e posteriormente para alegações finais.

Em atualização

EC

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