Covid-19: Diretor Clínico do HBS garante que ainda não se pode falar em rotura e pressão, mas alerta que aumento de casos representa um perigo

23/04/2021 15:39 - Modificado em 26/04/2021 12:15

O Diretor Clínico do Hospital Baptista de Sousa, Paulo Almeida, garante que apesar do aumento do número de casos de covid-19, o que provoca um maior número de internamentos, não se pode ainda falar em rotura e pressão do sistema de saúde da ilha. No entanto, diz que se continuar a existir um aumento exponencial de casos o risco é elevado.

Informação avançada por Paulo Almeida ao Notícias do Norte, assegurando que neste momento, estão internadas no Hospital Baptista de Sousa 10 pessoas devido a covid-19, sendo que um doente de 59 anos que foi internado ontem, e tem outras patologias associadas, está mais grave, mas não está entubado.

“Com o aumento de casos registados vamos tendo um maior número de casos mais graves. Já estamos praticamente com duas semanas com o isolamento quase cheio e num só dia esteve lotado. Isso é de esperar” salienta a mesma fonte.

Paulo Almeida aponta que no serviço de urgências do HBS, o número de pessoas diagnosticadas com a covid-19 tem “sido alto”, frisando que num só dia houve o registo de 23 casos positivos, isto sem contar com os casos dos contactos.

“Isto cria uma demanda maior no serviço de internamento. Se antes tínhamos uma média de 3/4 doentes internados, neste momento a média supera os 8, com doentes mais graves e com necessidades às vezes de ventilação mecânica, com suporte de aparelhos” sustenta Paulo Almeida.

No entanto, garante que ainda não se chegou numa fase que se pode dizer que o sistema de saúde na ilha entrou em rotura, “mas obviamente se os casos continuarem a aumentar será sempre um perigo”.

Paulo Almeida, afirma que desde o início da pandemia no país, o Hospital criou o seu plano de contingência, onde estavam em cima da mesa vários cenários possíveis, dependente do aumento do número de casos e dentro do hospital arranjar espaços para isolar um maior número de pessoas.

Nisto, aclara que o HBS tem estado a aumentar os espaços para receber doentes covid-19 em situação mais grave, sendo que neste momento o antigo local de quartos particulares do edifício, está em obras para receber adaptações e aumentar a capacidade para mais 15 doentes.

Com isso, o HBS ficará com capacidade para receber até 30 doentes com covid-19, visto que já existir outras camas disponíveis em outros compartimentos do Hospital, para além dos 12 na área criada para o isolamento.

“Mas se houver mais doentes internados, as coisas tornam-se mais difíceis. Até ao momento tivemos ao mesmo tempo duas pessoas entubadas e que se pode gerir. Só que numa situação com 6/7 doentes com necessidade de serem entubados a situação será certamente mais complicada, porque o stock de consumíveis dependerá do tempo que vão ficar entubados”.

No entanto, assegura que se o aumento de casos exponencial na ilha continuar, “diretamente e consequentemente” irão aparecer doentes mais graves e com necessidades de suporte de máquinas.

Numa luta que já se arrasta há mais de um ano, diz que houve um reforço do Ministério da Saúde, com mais recursos humanos, mas assegura que se houver muitos doentes internados a precisarem de cuidados mais diferenciados, existe apenas um médico intensivista e poucos enfermeiros intensivistas, um cenário que traz algumas preocupações.

Sobre as mortes registadas nos últimos dias na ilha, diz que são pessoas idosas, com mais de 60 anos, com doenças como hipertensão e diabetes, ou seja, pessoas com o “sistema imunitário mais comprometido”.

São Vicente tem neste momento 206 casos ativos de covid-19.

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