Francisco Carvalho é o primeiro dirigente do PAICV a manifestar intenção de suceder a Janira H. Almada

21/04/2021 17:03 - Modificado em 21/04/2021 17:04
Foto: Inforpress

Francisco Carvalho, actual presidente da Câmara Municipal da Praia, é o primeiro dirigente do PAICV a manifestar-se disponível para suceder a Janira Hopffer Almada na presidência desse partido, depois de a actual líder ter indicado que vai apresentar proximamente a sua demissão na decorrência da derrota averbada nas eleições legislativas do passado Domingo, 18 de Abril.

O chefe da edilidade praiense, que ganhou as eleições autárquicas de Outubro de 2020 na cidade da Praia pelo PAICV, já tem no Facebook um grupo privado de apoio à sua candidatura, e uma página, de que ele mesmo é administrador, em que solicita a adesão de militantes e simpatizantes do PAICV ao seu projecto de liderança do partido.

A referida página é a reconversão de uma das plataformas digitais criadas há cerca de 10 meses para dinamizar a candidatura autárquica de Francisco Carvalho, tendo o nome sido mudado, agora, para “Francisco Carvalho para Presidente do PAICV”, mas ainda sem qualquer manifesto eleitoral nem declaração consistente das intenções do concorrente.

Contactado pelo Notícias do Norte para analisar a iniciativa de Francisco Carvalho, uma fonte bem informada dentro dos órgãos dirigentes do PAICV disse desconhecer a iniciativa do presidente da edilidade capitalina ou a existência da referida página nas redes sociais, afirmando estranhá-la uma vez que o pedido de demissão de Janira Hopffer Almada ainda não foi discutido pela cúpula paicevista, e muito menos os cenários da sua sucessão.

“A posição da maior parte dos membros dos órgãos de liderança é que, de momento, devemos desencorajar os impulsos individuais de apresentação de candidaturas à presidência do PAICV, uma vez que se trata de um assunto sensível que deve merecer toda a ponderação, tanto mais que nem sequer nos encontramos ainda no início da legislatura saída das últimas eleições”, indicou a fonte em referência.

A mesma explicou que, previamente, os órgãos do partido irão reunir-se para apreciar a situação interna e a situação política nacional, para só depois dar os inputs que deverão orientar os procedimentos conducentes à substituição de Janira Hopffer Almada, e ainda assim, só após a aceitação do já anunciado pedido de demissão da presidente cessante.

A nossa fonte indicou que algumas ideias germinam já, entre os dirigentes, sobre esta matéria, sendo uma delas “a possibilidade de uma comissão de gestão que possa conduzir o partido nos próximos tempos, para a manter coesa e funcional no seu papel de oposição e na preparação do seu futuro”.

Essa comissão seria gerida por uma figura incontestável do PAICV que se comprometesse a não aproveitar, posteriormente, essa pole-position para se candidatar à presidência efectiva do partido, inibindo, assim, a expressão de outras ambições e capacidades igualmente consistentes mas mais duradoiras.

“Nós entendemos que dentro do PAICV existem inúmeros quadros que podem agarrar as rédeas do partido e conduzi-lo a bom porto, mas não queremos que isso aconteça no imediato porque tal poderia levar a que essa figura chegasse desgastada às eleições de 2026 no final de 5 anos de duro trabalho político na oposição,” explicou a nossa fonte.

Questionado sobre quem teria o perfil adequado para gerir o partido na fase transitória e aceitasse fazer tal sacrifício, o nosso interlocutor não hesitou em apontar o nome de Rui Semedo, que considerou “um dos militantes e dirigentes mais desinteressados e generosos”, além de constituir “uma reserva moral e um factor de união” dentro do PAICV.

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