Abstenção em S. Vicente: Jovens desiludidos com promessas dos políticos

20/04/2021 21:21 - Modificado em 20/04/2021 21:21

A taxa abstenção não pára de subir nos últimos atos eleitorais, em vários pontos do país e em São Vicente a situação não é diferente. Muitas são as causas apontadas pelos eleitores que decidem não fazer uso do seu direito de voto.

Nestas Eleições Legislativas de 2021, ocorridas no domingo, 18, a ilha de São Vicente teve uma taxa de abstenção situada nos 41.2%, o que representa um total de 22.121 pessoas que não se dirigiram às mesas de voto para exercer a sua cidadania.

O NN numa ronda feita e tendo abordado alguns jovens, uns não se identificam com os partidos políticos, outros não se identificam com as causas, alguns argumentam que o sistema não vai mudar e, conformados, preferem alhear-se de tomar uma decisão.

A abstenção pode ser vista como uma “via de saída” para os cidadãos desapontados com a atuação dos partidos, como nos disse o jovem Manuel Nascimento, que assegura que a ilha de São Vicente tem estado “abandonada à sua sorte” dai a opção de não ir votar.

“Sinceramente não acreditei em nenhuma das promessas feita pelos políticos nas suas plataformas eleitorais. Para São Vicente é sempre a mesma coisa. Vêm e lançam as pedras, depois quando se aproxima a época das eleições fazem tudo as pressas para enganar o povo. Não acredito no sistema político enraizado no nosso país. Fique dececionado também pela forma como os maiores partidos fizeram as suas campanhas eleitorais, em época de covid-19, quando são os primeiros a apelar que se cumpram as medidas” sustenta este jovem, revelando que em 2016 também não votou nas legislativas.

Por sua vez, Júnior Lopes disse-nos que não votou por não acreditar nas promessas que os partidos fazem, salientando que as coisas precisam mudar nos líderes partidários para que as pessoas tenham vontade de se dirigir às mesas de voto. “Fazem promessas e não cumprem nem metade, principalmente em São Vicente. Há muito que não voto, para mostrar o meu descontentamento e sei que é partilhado por muitos jovens da nossa ilha” enfatiza.

Este jovem diz-se descrente que as coisas possam mudar, mas espera que pelo menos algumas promessas feitas sejam cumpridas para que a ilha possa recuperar desta pandemia que a assola, principalmente a nível económico.

“Depois de tantas promessas feitas e não cumpridas, senti que não fazia sentido ir votar, para mostrar o meu desagrado. A abstenção mostra que muitos não creem nos políticos, principalmente em São Vicente, onde as coisas não acontecem. Se as coisas mudarem poderei ir votar nas próximas eleições” garante Manuela Lima.

De realçar que em São Vicente estavam inscritos 53.638 votantes e somente 31.517 (58.8%) se dirigiram às mesas de votos para exercer o seu direito.

Também houve 343 votos nulos o que representa 1.1% e ainda 458 votos em branco (1.5%).

De recordar que São Vicente elegeu 10 deputados, sendo 4 do MpD que venceu com 11.733 votos (37.2%), seguido da UCID com o mesmo número de deputados e que teve um total de 10.822 votos (34.3%). O PAICV obteve 7.881 votos o que representa 25% dos votos válidos, tendo elegido dois deputados e o PTS conseguiu apenas 280 votos (0.9%).

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