UCID questiona quanto o país vai pagar por trazer o Boing da CVA a dois dias do fim da campanha eleitoral para “fazer pose” – c/vídeo

15/04/2021 14:40 - Modificado em 15/04/2021 14:40
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A candidatura da União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID), em reação à chegada do Boeing da Cabo Verde Airlines (CVA), no Aeroporto Internacional Nelson Mandela, na Cidade da Praia, questiona quanto é que vai custar aos cofres do Estado e aos bolsos dos contribuintes, manter este aparelho no país.

António Monteiro, em conferência de imprensa, em São Vicente, diz que a chegada do aparelho em Cabo Verde, a dois dias do fim da campanha eleitoral, é uma forma do governo do MpD, liderado por Ulisses Correia e Silva, tentar “lavar a cabeça aos cabo-verdianos, principalmente aos eleitores, pensando que com este Boeing conseguirá vencer as eleições”.

Neste sentido Monteiro, que concorre às legislativas de 18 de Abril, diz que a chegada do Boeing-757 da Cabo Verde Airlines, ontem, um dos 11 que prometidos em 2016 é muito pouco. “Prometeu muito e conseguiu muito pouco. Mas o facto de ter conseguido muito pouco deixa-nos muito preocupado”, atira o líder da UCID.

Outra questão preocupante, conforme o cabeça de lista pelo círculo eleitoral de São Vicente, tem a ver com o contrato. É que segundo António Monteiro, não se conhece as cláusulas que fizeram com que o aparelho viesse em altura de campanha eleitoral. “O que isso representa para os cofres do Estado e para o bolso dos contribuintes”.

“Os custos que o país estará a pagar ninguém os conhece, e nós questionamos, por quanto tempo é feito o “leasing” aeronáutico, ou seja o arrendamento ou “aluguer” de aeronaves por um período considerável tempo, suportado por um contrato específico, quanto se vai pagar por dia e qual o regime de leasing”, questiona António Monteiro.

Logo, diz que a UCID entende que em matéria de transportes aéreos, o governo do MpD “falhou de forma redonda”, porque prometeu que seria a solução, mas acabou por mostrar-se “uma grande desilusão”. E que na “ansia de consertar um pouco esta desilusão, trás a dois dias do término da campanha eleitoral, para tentar lavar a cabeça aos cabo-verdianos, principalmente aos eleitores, pensando que com este Boeing conseguirá vencer as eleições”.
Nesta senda, Monteiro relembra que em 2016 o MPD ganhou as eleições legislativas, após 15 anos na oposição, com a promessa de fazer uma aposta séria nos transportes e a população acreditou. O resultado, frisa Monteiro, é que hoje “temos um único avião e não vale recorrer à pandemia para justificar este único avião”. Portanto, para o presidente da UCID, foi apenas “falta de política”.

Para este candidato, são várias as questões que estão penduradas e que sem estas respostas, o povo, diz Monteiro, não saberá o que vai acontecer com os transportes aéreos, acusando o governo ter agido de forma fraudulenta na questão da privatização e que foi “lesivo aos interesses do país”.

Ademais, espera que a Procuradoria da República esteja atenta e que vá analisar a situação e tomar as medidas que se impuserem porque, segundo António Monteiro com o dinheiro do contribuinte não se deve brincar.

A CVA operava antes da pandemia com três aviões Boeing 757-200ER fornecidos em regime de ‘leasing’ pelo grupo Icelandair, que lidera a companhia cabo-verdiana, e todos foram deslocados em março de 2020 para Miami, Estados Unidos da América (EUA), colocados em situação de armazenamento devido à suspensão de toda a atividade comercial.

Entretanto, o Boeing com a matrícula D4-CCG, batizado com o nome de “Baía de Tarrafal”, foi deslocado em 12 de março para o aeroporto de Keflavik, na Islândia. O mesmo aconteceu em 20 de dezembro passado com o Boeing com a matrícula D4-CCH, batizado de “Fontainhas”.

Elvis Carvalho

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