Exposição “A viagem” de Dex no Espaço Manuel d’Novas

30/03/2021 22:22 - Modificado em 30/03/2021 22:22

Eurico Ramos, “Déx”, como é conhecido no mundo artístico, leva a público, no espaço Manuel d´Novas, a sua exposição “A viagem”, a viagem durante duas semanas. Após 20 anos sem fazer nenhuma exposição pública, “Déx” traz ao público 12 quadros, feitos durante esta pandemia do covid-19.

Um conjunto de obras que “retrata a vida em todas as suas facetas”. Para este artista a vida “é uma viagem desde a formação genética à movimentação dos planetas. Acredito que estamos sempre a viajar”, conta “Déx”, sobre esta exposição.

“Cada quadro representa o meu universo imaginário”, sublinha este artista que diz que dá conta que a sua última exposição foi em 2001, na cidade do Porto, Portugal.

Amante das artes em todas as suas formas e manifestações, diz que por estar envolvido em outros projetos, como a música e sobretudo o carnaval que o tinham impedido de fazer esta exposição e que com esta pandemia da Covid-19, que adormeceu alguns gigantes, acordou outros.

Com efeito, procura nestes trabalhos, um lugar onde possa ser diferente. “A arte é como uma árvore, cada ramo representa uma manifestação cultural e que tem sensibilidade para um, tem para outros” sustenta.

Questionado sobre as influências para o desenvolvimento da sua linguagem artistica, “Déx”afirma que, em primeiro lugar cria um elemento dá sustentabilidade a nível criativo e com isso faço um malabarismo até conseguir algo diferente ou estranho para outras pessoas”, o importante é despertar uma reacção no público.

Desafios, obstáculos vivenciados

“São muitos, porque nós artistas temos um caminho doloroso e ser artista em Cabo Verde é muito difícil, mas acabamos por trilhar este caminho. Tem mais problemas que espaço ou condições de fazer e ainda muitas limitações em termos de interpretação consciente daquilo que é arte em Cabo Verde”, aponta “Déx” que diz que as pessoas procuram na arte uma imagem realista, de algo que nem sempre existe.

Aos seus trabalhos artísticos, este reconhecido artista do carnaval de São Vicente, diz que nas suas obras, procura trazer uma sensação de descoberta de algo novo e povoá-lo com uma ação artística. “Um sentimento que raramente consegues explicar na sua totalidade” e que define o seu trabalho.

Resumindo diz que a arte para si é como “portas que o seu corpo tem e que acaba por libertar a sua alma”.

Nisto, diz que o artista desde do momento de criação das suas obras até ao momento que os expõe ao olhar crítico do público, procura uma leitura do público sobre aquilo que queremos comunicar. E que a crítica ajuda na sua criação enquanto artista. “É importante e sem ela não sabemos onde estamos e ela fortalece qualquer artista”, resume.

Arte e Cultura no país

O tratamento que os artistas recebem em Cabo Verde, segundo “Déx”, é que apesar da arte poder exercer função de diplomacia, muitas vezes não é reconhecido e não é valorizado. Exemplificando com o carnaval. “Não é atribuído o valor que merecemos. Fazemos o projeto, recebemos o valor monetário e o limite fica aqui, quando deveria ser mais abrangente”, destaca apontando a sua importância que tem tido no desenvolvimento cultural do país.

Neste sentido insta a quem de direito, a criar um espaço que guarde a história cultural do país para que o seu legado possa ser revisto e estudado.

Elvis Carvalho

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