Transportes Aéreos: PAICV acusa MPD de “resolver”o problema de voos domésticos por interesses eleitorais

24/03/2021 21:34 - Modificado em 24/03/2021 21:34
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Foto: Inforpress

O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, em resposta às acusações do líder da bancada parlamentar do PAICV, Rui Semedo, que acusa Ulisses Correia e Silva de se refugiar “em atacar a oposição”, em vez que fazer o balanço da situação do país, citando como exemplo os transportes aéreos nacionais, que “são um desastre”.

A posição foi defendida esta quarta-feira, durante a última sessão plenária desta Legislatura, para fazer o balanço da governação iniciada em 2016.

Para Semedo, o governo do MpD, garantiu um monopólio privado e que neste momento está a braços com a situação dos transportes Inter-ilhas, alegando uma suposta intermediação entre a Agência de Aviação Civil (AAC) e a empresa de Transportes Inter-ilhas de Cabo Verde, TICV. “O primeiro-ministro não pôde intermediar uma situação entre o regulador e a empresa, porque a AAC tem a sua autonomia”, aponta Rui Semedo que acusou o governo de “intrometer” para tirá-los, o partido, de apuros porque não tinha voos durante a campanha eleitoral que começa a 01 de Abril.

Após uma semana de indefinição, a TICV voltou a disponibilizar, em 19 de Março, bilhetes para voos internos em durante o mês de abril, mas ainda mantém suspensa a venda para maio, sendo conhecida a existência de um diferendo entre a entidade reguladora e aquela companhia aérea, entre outros problemas.

Rui Semedo questiona ainda o executivo, de quais foram os compromissos assumidos, perante a empresa e o regulador, as promessas feitas, ou montantes envolvidos.

Na sua intervenção, Ulisses Correia e Silva, justifica a privatização da TACV, acusando o PAICV, mais uma vez de má gestão durante a sua governação até 2016 e sustenta que este trouxe implicações até hoje e que caso a empresa não tivesse sido privatizada, a solução seria a liquidação. “Privatização foi feita porque em alternativa era a liquidação da empresa, não foi imposição, dando sequência positiva a aquilo que o governo anterior não conseguiu fazer”, avançou.

“O PAICV fez tentativas falhadas de restruturação, depois tentou a privatização, através de uma lei que foi aprovada e publicada”, alega o governante que questionou a líder do PAICV sobre a sua posição na altura, se esta era contra.

Para o chefe do executivo, este discurso do PAICV mostra uma contradição, ao que tentaram fazer no passado, que era a privatização, mas não conseguiram. “Trouxemos um conceito de Hub para justificar a ampliação de mercado e viabilizar a companhia e conseguimos um parceiro estratégico, privatizando 51% e resto do capital era para ser colocado em emigrantes e depois nos trabalhadores e o resto, para acionistas internos”.

Ulisses Correia e Silva relembrou, ainda, que a ajuda orçamental da União Europeia estava bloqueada, devido a não resolução do problema da TACV que “representava riscos fiscais, muito elevados”.

Sobre a acusação de Rui Semedo sobre a “intromissão”, do governo entre a TICV e a AAC, o governante, defende que a sua posição como primeiro-ministro e governante foi a de encontrar soluções, onde cada um defendia os seus interesses, que iam de acordo com os interesses dos cabo-verdianos. “Quer nos transportes aéreos interilhas quer internacionais, o Governo está a atuar e a intervir onde for necessário para não haver descontinuidade, para que não haja interrupção, para que não haja falência do sistema. Essa é a nossa responsabilidade”, afirmou Ulisses Correia e Silva.

Por seu lado, a líder do PAICV, Janira Hopffer Almada, diz que o seu partido não é contra as privatizações, mas sim da forma como são feitas, sem transparência, rigor e interesses nacionais. “E o governo não conseguiu salvaguardar estes três valores”, referiu. A presidente do PAICV afirmou ainda, que o governo falhou em toda a linha e não colocou os interesses do país em primeiro lugar e que passados cinco anos, é evidente que as grandes promessas deste Governo não passaram disso mesmo. “Como o próprio primeiro-ministro assumiu, ao dizer que promessas de campanha são uma coisa e governar é outra coisa bem diferente, quase que pedindo aos eleitores que se esquecessem das promessas eleitorais”, afirmou Janira Hopffer Almada.

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