PAICV exige que o Governo se pronuncie sobre o acórdão do TJ da CEDEAO que mandou libertar Alex Saab

16/03/2021 22:36 - Modificado em 16/03/2021 22:36

Em comunicado, o Partido Africano da Independência de Cabo Verde, PAICV, volta a se pronunciar sobre o mediático caso de Alex Saab, que se encontra sob custódia da justiça cabo-verdiana, desde que foi detido no dia 12 de junho, na ilha do Sal, e, na sequência disso, aguardando a decisão sobre um pedido de extradição feito pelos Estados Unidos.

O PAICV considera que não se pode esconder que este caso está envolto em interesses, que envolvem outros países, deixando Cabo Verde numa situação de “embaraço e dilema” perante qualquer desfecho do caso, cuja última palavra advém do Supremo Tribunal da Justiça.

O maior partido da oposição aponta dois factos que “engrossam essa situação que em nada abona à boa imagem de Cabo Verde”. O primeiro, segundo o PAICV, é a acusação do atual governo que perdeu a capacidade de “gerir dossiers complexos e delicados” que o processo exige e, um forte indicador do “desnorte da política externa em face da gravidade do dossier”.

Para este partido, o comunicado do Governo, demarcando-se da notícia em que “funcionários ao serviço do Estado cabo-verdiano” tivessem ido a Caracas negociar com o Presidente Nicolás Maduro, não só criou mais melindre ao caso, “especialmente depois de destituir um gestor público por alegado envolvimento no caso, como provocou um desnecessário mal-estar nas relações de Cabo Verde com alguns dos seus parceiros, para além de alimentar notícias na imprensa nacional e internacional, pelas piores razões”.

E que, segundo o mesmo comunicado, especulações andam à solta e, legitimamente, questionam-se as verdades oficiais e levantam-se suspeições sobre a falta de transparência, sobressaindo disso o amadorismo e a incapacidade de Cabo Verde em lidar com dossiers tão delicados, colocando em sério risco os nossos Objectivos Nacionais Permanentes.

Sobre a CEDEAO

A CEDEAO já se pronunciou por duas vezes neste sentido e o PAICV acusa o Governo, sustentado pelo MpD, de estar a se fingir de morto. Entretanto relembra que a última decisão do Tribunal desta organização sub-regional, por ser clara e por envolver a juíza cabo-verdiana como relatora e como subscritora do acórdão, exige um posicionamento claro do executivo cabo-verdiano, designadamente, que deve vir a público dizer o que Cabo Verde pensa fazer.

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2021: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.