Pedro ‘Bubista’: “Queremos manter o nosso rigor defensivo e melhorar a nossa qualidade ofensiva”

16/03/2021 21:52 - Modificado em 16/03/2021 21:52
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Nesta entrevista exclusiva ao NN, o selecionador nacional de futebol, Pedro Brito “Bubista”, aponta a existência de “muitas negociações” com clubes para liberar jogadores para a seleção nacional de futebol, que tem dupla jornada decisiva de qualificação para o CAN 2021, marcada para finais deste mês. No entanto, o mesmo salienta que irá chamar 30 jogadores e mostra-se ambicioso para os duelos com Camarões e Moçambique.

Notícias do Norte – Tem se deparado com o problema dos clubes em libertar jogadores para a seleção, tendo em conta o precedente que a FIFA abriu de que esses não são obrigados a dispensar atletas para compromissos das seleções?

Bubista- Há muitos países que obrigam a quarentena de pelo menos 14 dias no regresso, e há clubes que não querem dispensar jogadores. É o caso de 7/8 jogadores que estiveram na última convocatória e que os clubes não querem dispensar para a seleção. Muitos jogadores têm feito 2/3 jogos por semana nos seus clubes e se vierem vão perder alguns jogos, isto numa fase importante da época. E nisso, compreendemos perfeitamente. Também estamos numa fase decisiva, mas não poderemos fazer nada neste sentido. Ainda hoje não temos a certeza de que alguns jogadores poderão vir ajudar-nos, porque ainda decorrem as negociações com os clubes que têm neste momento mais poder de decisão neste aspeto.

NN- Como foi feito o trabalho para colmatar estas ausências, que auguro serem importantíssimos para a seleção nesta fase decisiva?

Bubista- Mesmo antes de surgir esta questão, tínhamos decidido alterações na convocatória. A ideia passou sempre por melhorar a equipa do ponto de vista do capital humano e como jogadores. A nossa ideia passa sempre por chamar jogadores para darem continuidade ao trabalho, como são os casos de alguns jovens que são integrados.

NN- Quantos jogadores pensa convocar para evitar cenários difíceis de última hora, como de resto vem sucedendo?

Bubista- Pensamos em convocar cerca de 30 jogadores. A situação da covid-19 é bastante complicada, mais ainda se juntarmos as lesões. Se algum jogador tiver algum problema já não temos possibilidades de modificar à última hora, visto que a questão dos voos já não são a mesma coisa. Costumamos chamar 25 jogadores, mas queremos alargar a lista, para prevenção, porque vamos ter dois jogos. E é sempre desconfortável quando tens que chamar outros jogadores em cima da hora para integrar a equipa. Queremos que todos os jogadores tenham confiança absoluta na sua equipa técnica e dar tudo para ajudar a equipa.

NN- Já com dois jogos à frente da seleção certamente uma base já vinha sendo criada. Mas, com todos os problemas que apontou, mais a questão covid-19, pergunto se isso poderá originar retrocessos no trabalho já desenvolvido?

Bubista- Acho que não irá haver retrocessos. Mas obviamente que isto influência, porque quando estamos trabalhando com jogadores que têm qualidade, tanto desportivamente como em termos humanos e vemo-nos impossibilitados de tê-los connosco por covid-19, ou por lesão é sempre complicado. Mas não estamos a lamentar isso, porque temos que ter capacidade de ultrapassar estas situações. E qualquer jogador que venha a ser chamado tem que ver essa janela como uma grande oportunidade a agarrar.

NN- Como pensa preparar o jogo com os Camarões que se apresenta como decisivo nas aspirações de Cabo Verde rumar ao CAN’21?

Bubista- Queremos manter o rigor defensivo e qualidade ofensiva. Nos dois jogos frente ao Ruanda não sofremos nenhum golo. Criamos várias oportunidades de golo, mas infelizmente não conseguimos concretizar. Por isso, queremos manter o nosso rigor defensivo e melhorar a nossa qualidade ofensiva, para fazermos golos. Sabemos da qualidade do nosso adversário. Uma seleção que já vencemos há alguns anos e por tudo aquilo que fizemos será possível repetir novamente.

NN- Como vê os vários cenários neste grupo caso a nossa seleção não conseguir vencer os Camarões e em caso de sucesso de Moçambique frente ao Ruanda. 

Bubista- Digamos que o mais importante é o nosso jogo frente a Moçambique, porque uma vitória no seu reduto dar-nos-á a qualificação direta para o CAN. Temos que fazer tudo e mais qualquer coisa para disputar os resultados, tanto aqui em casa como em Moçambique. Sabemos sempre que a qualificação é uma caminhada e ninguém se qualifica em dois ou três jogos. Temos cumprido com o nosso objetivo que era chegar nas últimas jornadas dentro das possibilidades de qualificar e conseguimos isso, porque estávamos com um atraso pontual para a liderança. Gostamos de jogos decisivos e penso que equipa técnica e jogadores gostam de estar em zonas de decisão. Temos que respeitar os Camarões e Moçambique, mas mesmo com todas as dificuldades que nos vão criar temos qualidade para ultrapassá-los.

NN- Está consciente de que poderá não contar com todos os jogadores depois dos testes à covid-19?

Bubista- O estágio começa no domingo e estamos esperançosos de que não haja lesões nos próximos dias, e que que tudo corra bem também em relação aos testes de covid-19. Tendo em conta que na última vez tivemos muitas dificuldades e ficamos sem muitos jogadores, entre covid-19 e lesões, esperamos que desta vez tenhamos mais sorte.

NN- A falta de adeptos no Estádio poderá fazer mossa nos jogadores da seleção?

Bubista- Desde que entramos na seleção não tivemos a felicidade de ter público nas bancadas. E era algo que sonhamos muito em ter o estádio cheio de adeptos. Mas vamos ter que olhar para a frente. Os nossos jogadores jogam todos fora do país e sem adeptos e por isso já estão habituados. O nosso propósito é trabalhar e elevar a fasquia do nosso país.

No Grupo F, Camarões lidera com 10 pontos (Qualificado), seguido de Moçambique em igualdade pontual com Cabo Verde com quatro pontos e Ruanda que está na cauda da tabela classificativa com dois pontos.

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