Quinto dia de campanha com acusações de esbanjamento, ameaças de processo, promessas de regionalização, apoio à agricultura…

5/10/2021 00:36 - Modificado em 5/10/2021 00:38
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Neste quinto dia de campanhas, as candidaturas de José Maria Neves e Carlos Veiga, como era de esperar tendo em conta, os posicionamentos políticos e as rivalidades de uma campanha, já começaram a entrar em rota de colisão, primeiro com o candidato presidencial apoiado pelo PAICV, a acusar publicamente o governo de usar recursos públicos para fins eleitorais.

Uma acusação que não caiu bem no seio da candidatura de Carlos Veiga, anunciou esta segunda-feira, em conferência de imprensa, que vai apresentar uma queixa-crime contra José Maria Neves que, alegadamente terá levantado nesta campanha um conjunto de “acusações e insinuações graves, desrespeitosas e infundadas” contra o antigo líder do MpD.

Para o mandatário nacional da candidatura de Carlos Veiga, o candidato José Maria Neves vai ter que provar em Tribunal as alegações da utilização de bens públicos, equipamentos e materiais luxuosos e provar onde residem as diferenças de meios utilizados entre as duas candidaturas.

Por seu lado, Carlos Veiga defendeu que as despesas da sua campanha estão previstas na legislação eleitoral e que o acusador “está numa campanha tão “luxuosa” como a dele, com situações idênticas em equipas de campanha, comunicação e imagem, outdoor e deslocações e que estas queixas não passam de algum sinal, reagiu durante os contactos directos com o eleitorado de São Salvador do Mundo.

Acusações à parte e diferenças de meios utilizados entre estas as duas candidaturas, surge Casimiro de Pina a denunciar a poluição sonora provocada pelo barulho “intenso” dos aparelhos e a forma como estão sendo esbanjados os recursos financeiros numa época em que os cabo-verdianos ainda estão a viver os efeitos da pandemia.

Para o candidato presidencial, estes candidatos (Carlos Veiga e José Maria Neves) “parecem que não estão minimamente preocupados com isso, pela forma como andam a gastar dinheiro. Isto é ofensivo para as classes mais desfavorecidas e que vivem com muitas dificuldades”

E em São Vicente o candidato às eleições presidenciais Hélio Sanches, prometeu usar a sua magistratura de influência e utilizar todos os poderes do chefe de Estado junto do Governo para resolver os problemas que afligem a ilha e apoiar na causa da regionalização na ilha do Monte Cara e de Cabo Verde.

“Neste momento, o mais importante para mim é trazer a mensagem de esperança, e, como Presidente da República, toda aspiração legítima do povo de Mindelo vai ser concretizada, na medida do possível, neste caso a regionalização”, apontou.

Para Hélio Sanches, por ser uma ilha de reivindicação legítima, da cultura e da sociedade cível, São Vicente merece toda a consideração e respeito.

Ainda em São Vicente, o candidato presidencial Fernando Delgado disse que quer fazer pressão para colocar o sistema a funcionar, estribado na magistratura de influência, com faz questões de pontuar sempre, em áreas como saúde, educação, segurança, justiça e desemprego jovem.

E que para isso, defendeu, é preciso “gente jovem e com outra visão das coisas”.

De regresso a ilha do Monte Cara, após três dias de actividades na ilha de Santo Antão, Gilson Alves, apela a uma mudança que possa acabar com a rotação dos dois partidos, que tem governado o país de forma rotativa.

“Toda gente já sabe que o que está mal é a criação de duas elites, é transformar política num grande trabalho, num grande emprego, bem pago e com grandes regalias”, sustentou, fazendo analogia entre a política e o tráfico de drogas pesadas, que “pode ser visto pelos jovens como uma boa alternativa para fazer dinheiro”, referiu o candidato que tem como lema de “Poder absoluto”.

Viajando para a capital do país, José Maria Neves declarou-se no domingo, 03, confiante numa “grande vitória” da sua candidatura logo à primeira volta.

“A campanha está a decorrer muito bem, esta onda está a crescer todo o dia. Este nosso movimento cidadão está a crescer de Santo Antão a Brava. As fotografias que estamos a receber da diáspora são extraordinárias. E isto significa que esta onda está a ganhar e está cada vez mais fantástica, e com certeza que no dia 17 conseguiremos, já na primeira volta, uma grande vitória”, disse.

José Maria Neves, que foi primeiro-ministro de Cabo Verde por três mandatos consecutivos, apontou a reconstrução do país na pós-pandemia e a aceleração do processo de modernização e transformação como sendo as suas prioridades, bem como, o reforço da confiança da justiça, a melhoria da coesão social e da prosperidade inclusiva, a descentralização insular e a governação territorial, a unificação do território e o relançamento da economia são algumas propostas da sua candidatura.

E o mais velho candidato às eleições presidenciais de 17 de Outubro Joaquim Monteiro classificou hoje “positivo” os três dias de campanha em Santo Antão, pediu aos santantoneses “um voto de certeza para o futuro de Cabo Verde”.

Em  relação a propostas para o município do Paul, Joaquim Monteiro disse que vai influenciar para conclusão da estrada “não acabada” e do cais de pesca que ao longo dos 46 anos não foram reabilitados.

Relativamente à agricultura, o candidato presidencial notou que embora seja “pujante” precisa ser subsidiada pelo Estado e com a ajuda das câmaras municipais.

Por outro lado, o auto-intitulado “candidato do povo” disse subscrever a ideia da construção de um aeroporto no Porto Novo, considerando que o aeródromo que existia na Ponta do Sol “prestou um grande serviço”.

Às presidenciais do dia 17 de Outubro concorrem sete candidatos: Fernando Delgado, Gilson Alves, José Maria Neves, Carlos Veiga, Hélio Sanches, Casimiro de Pina e Joaquim Monteiro.

As últimas eleições presidenciais em Cabo Verde ocorreram no dia 02 de Outubro de 2016, com três candidatos (Albertino Graça, Jorge Carlos Fonseca e Joaquim Monteiro). Venceu Jorge Carlos Fonseca na primeira volta com 74% dos votos, para um segundo mandato. 

NN/Inforpress

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